A Verdade no Teatro Aberto

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Mais uma vez o Peixinho não deixou escapar uma peça em cena no Teatro Aberto. Na realidade desta vez tivemos que escolher se queríamos saber a Verdade ou a Mentira, já que são dois os espectáculos em cena, com os mesmos actores/personagens, mas histórias sensivelmente diferentes que nos confrontam com o peso de dizer ou esconder verdades e mentiras. Acabámos por escolher a Verdade, quer por questões de calendário, quer por questões de argumento. É possível ver as duas, claro, mas ficámos por aqui.

O espectáculo é uma comédia, para variar um bocadinho dos últimos que temos visto, mas apesar disso consegue, duma maneira leve, falar das dificuldades dos relacionamentos, das escolhas diárias que fazemos naquilo que revelamos ou não aos outros, e das teias relacionais em que muitas vezes estamos enredados. Foi uma boa experiência, como sempre com aquele toque de Teatro Aberto, onde os figurinos e os cenários são muito bem pensados e caem que nem luvas na história.

Aconselho muito a todos os que gostam de teatro, ou os que gostam dumas horas bem passadas em boa companhia. tudo é bom para nos libertar da ditadura do pequeno ecrã.

Boas Leituras, e Bons Espectáculos!

Constelações no Teatro Aberto

Constelacoes

Mais uma vez a Junta de Freguesia de Benfica através da sua página do Facebook ofereceu aos seus fregueses a possibilidade de ir assistir à peça no Teatro Aberto a preços muito simpáticos.  E nós, tal como tínhamos feito no inicio do ano, decidimos aproveitar.

Sou grande fã do Teatro Aberto, acho que tem sempre grandes encenações, cenários fabulosos e bons actores. Por isso sempre que o orçamento permite não perco a oportunidade. Este protocolo da nossa freguesia com o teatro vem mesmo a calhar e desta vez ainda arrastámos umas amigas. Todos ficam a ganhar, porque a sala ficou bem mais composta e seria muito triste uma peça tão boa não chegar a mais público só por ser silly season.

Esta peça foi escrita por Nick Payne, um jovem dramaturgo inglês, e é bastante recente (2012). Conta-nos a história de Rodrigo e Mariana, ele apicultor e ela física teórica que se conhecem, apaixonam, separam, reencontram. Mas no multiverso em que vivemos e em que todas as escolhas que fazemos e não fazemos existem e são possíveis essa é e não é a história deles. Na realidade todas as histórias são possíveis, como uma dança com muitos passos e muitos ritmos diferentes. Às vezes triste, às vezes alegre, mesmo os momentos mais angustiantes que vão sendo revelados aos poucos se diluem na certeza que são apenas uma das milhares de opções.

Um texto muito desafiante para quem o ouve, mas incrivelmente difícil para quem o tem de interpretar. Por vezes as mesmas palavras eram repetidas vezes seguidas com apenas ligeiras variações de entoação e de marcação, mas isso bastava para mudar completamente o ambiente da cena.

Gostei muito, aconselho a quem gosta de bom teatro, principalmente fregueses de Benfica que queiram aproveitar o protocolo. Está em cena até 31 de Julho, por isso apressem-se.

Desvios à Leitura – Teatro

Graças a um protocolo com a minha Junta de Freguesia tive a oportunidade de ir ontem até ao Teatro Aberto com um preço bem simpático. A peça que está em cena é “Boas Pessoas” de David Lindsay-Abaire, um autor norte-americano vencedor dum Pulitzer.

Este é um texto recente, de 2011, mas é intemporal na realidade. O Teatro Aberto nunca desilude, e é sempre bastante bom a nível dos pormenores. Os cenários são fantásticos, a música, os figurinos. Tudo está afinado como uma máquina bem oleada.

Nesta peça era também notório o excelente trabalho de adaptação do texto à realidade portuguesa. Também aí se notou o cuidado com os pormenores.

Depois foram largos minutos de deleite. Os actores eram bons, o texto multidimensional, rico, de fazer pensar sem ser pesado e agressivo. Nem demos pelo tempo passar, e ficámos surpreendidos quando acabou, o que é sempre uma prova de que passámos um bom bocado.

Recomendado a todos os que gostam duma boa história, e grandes fãs de coelhos.