A Vida no Castelo

shirley jackson

Este foi mais um dos livros que estavam na calha e que resolvi pegar agora. Era relativamente curto e foi sugerido por uma amiga que já não via há algum tempo, mas com quem tinha o hábito de partilhar sugestões de leitura, sem nunca ficar desiludida.

Shirley Jackson foi também uma estreia para mim e, até este livro, era uma ilustre desconhecida mas acabou por ser uma agradável surpresa.
A história gira à volta de duas irmãs e um tio que vivem uma rotina rígida numa casa de família desde que o resto da família morreu envenenada 6 anos antes. A história está muito bem contada e é bastante gótica e cinematográfica. Passei todo o livro a lembrar-me da série American Horror Story. Na realidade não fiquei surpreendida quando mais tarde descobri que já há um filme baseado neste livro prestes a sair.

Mas por baixo duma história por vezes claustrofóbica há um subtexto muito interessante, que é o poder e a força das massas. Seja numa pequena cidade norte-americana, numa grande capital europeia, num estádio ou nas redes sociais, a mob mentality é perigosa e poderosa e põe pessoas que noutras circunstâncias seriam consideradas normais a fazer coisas indescritíveis, E isso foi o que eu achei mais bem explorado neste livro.

De resto, a história está muito bem contada, e se mais ou menos a meio eu já previa o desfecho, a mestria das palavras não retirou em nada o prazer de ler a história.

Aconselho a todos os que gostam de histórias diferentes, passadas em cidades pequenas, mas que podiam ser no nosso prédio.

Goodreads Review

Na Calha

Para Ler

A minha pilha de livros para ler deu mais um salto esta semana. Para começar há sempre quem goste de me presentear com livros no meu aniversário, e que bom que assim é. Depois tive umas mini férias onde aproveitei para rever velhas amizades, bibliófilas como eu, e com quem troquei ideias e nomes de livros. Por fim, o Peixinho Vermelho teve um ataque de consumismo e resolveu comprar um livro também. Quatro livros novos, três são portugueses, parece-me muito bem! Mas vamos por partes, e ver o que está na calha.

José Rodrigues Miguéis, Páscoa Feliz: Não conheço este escritor, mas a amiga que me ofereceu este livro é a mesma responsável pelo João Sem Medo e Era Bom Que Trocássemos Umas Ideias Sobre o Assunto, por isso a expectativa é alta. Gosto de literatura assim, cheia de portugalidade mas não daquele lirismo bacoco do antigamente. Com o nosso ADN, as nossas idiossincrasias, a nossa identidade. Depois falarei dele aqui.

Mário de Carvalho, O Livro Grande de Tebas, Navio e Mariana: Um escritor que gostei muito quando li o livro que falei acima, Era Bom Que Trocássemos Umas Ideias Sobre o Assunto. Escrita aparentemente simples, mas um vocabulário muito rico. Precisei mais vezes dum dicionário do que quando leio livros em inglês. Uma história irónica e fluida, um retrato social de costumes que gostei muito. Entusiasmada por começar a ler este.

José Rentes de Carvalho, A Amante Holandesa: Li nas férias passadas, cortesia dum passatempo da TimeOut o último livro deste obscuro autor radicado há anos na Holanda. Gostei bastante, tal como o Peixinho Vermelho, que resolveu que estava na altura de comprar mais um para juntar à nossa biblioteca. Já vem a caminho.

Shirley Jackson, We Have Always Lived in the Castle: Por último, uma amiga que me aconselhou muitas das coisas boas que já li na vida, e com tenho gostos muito parecidos, incluindo Margaret Atwood, aconselhou-me este livro. Pela sinopse parece-me que sai um bocadinho da minha zona de conforto, o que é só mais uma razão para o ler. Estou ansiosa, e depois direi aqui de minha justiça… suspense gótico… se conseguir dizer alguma coisa.

E pronto, por hoje é tudo que ainda tenho 25% do Fall of Hyperion para acabar de ler, o livro que não sei se quero que acabe ou se não me quero separar daquelas personagens nunca.