Serpa é já ali em cima

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A típica paisagem alentejana que nos acompanhou em todos os passeios.

Como disse no dia anterior, mais uma vez comecei as férias doente. Desta vez, num almoço fora ainda no trabalho apanhei uma virose qualquer que me fez ficar com um piquinho de febre e uma relação muito próxima com todas as casas de banho dos sítios onde íamos parando na viagem. Neste segundo dia acordei mais arrebitada, já sem febre, e pronta a ir rumo a Serpa, para juntar um dia de passeio com as necessárias compras. Mas primeiro faríamos um desvio até ao Pulo do Lobo.

Desde os tempos de faculdade que tinha curiosidade em conhecer este acidente geológico, onde o poderoso Guadiana é estrangulado numa cascata de pouco mais de um metro de largura, tão estreita que um lobo poderia atravessar de um salto, e daí o seu nome. Indo pelo lado de Serpa, como nós fomos, encontramos uma paisagem imponente, mas para chegar à cascata propriamente dita ainda é uma caminhada íngreme por mau caminho. Noutras circunstâncias teríamos ido lá abaixo, mas estava muito calor, estávamos sem água, e ficámos a meio caminho. Mas dava para ver que indo por Mértola se fica mais perto de água. Fica para a próxima. No entanto, valeu muito a pena pelo cenário que encontrámos, dramático, e como estávamos do lado “errado”, tivemos a vantagem de estarmos praticamente sozinhos a desfrutar daquele pedaço de paraíso. Um luxo nos dias que correm.

Paragem seguinte, Serpa. Já era perto da hora de almoço e eu já estava furiosamente a pesquisar restaurantes, acabámos por ir parar ao Alentejano, depois de termos sido rejeitados sem cerimónia pelo Molhó bico, e de eu ter andado a fazer um circuito de WC de cafés pelo centro da vila (todos limpinhos, fiquei impressionada). O Alentejano foi uma categoria, com umas belas bochechas de porco estufadas, que obviamente não devia ter comido, mas fui incapaz de resistir. Ao menos caíram bem. O pão de rala da sobremesa não impressionou, mas se calhar foi pelo meu sentimento de culpa a comê-lo.

Depois foi passear pelo centro de Serpa, o seu Castelo, o aqueduto, caminhar nas muralhas. Vale muito a pena, é muito bonito. O museu no castelo está muito bem conseguido, com um filme explicativo de muita qualidade e que vale a pena perder 5 minutos a ver. É incrível como cada vez mais por este Portugal interior se encontram equipamentos muito bem conseguidos (obrigada fundos comunitários bem aplicados por gente com vontade) que nos ajudam a perceber a nossa história, geologia, biologia. Pena não haver mais gente a desfrutar deles, que na maioria das vezes são gratuitos ou a preços irrisórios.

Depois duma tarde a desmoer bochechas e pão de rala debaixo do sol inclemente do Alentejo, hora de voltar para o ponto de partida. Deixo aqui nota alta para a qualidade das casas de banho, nas quais fui parando frequentemente. Dia seguinte, mais passeata.

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O Pulo do Lobo, aquela garganta estreita ali ao fundo
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As bochechas, deliciosas.
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Hilarião, hilariante. Cada terra com seu santo.
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E com o seu motivo de orgulho.
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Estive tão tentada a usar o elevador. Mas acabei por ter vergonha.
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Uma vista dos telhados circundantes, uns mais criativos que outros.
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Alentejo até perder de vista.
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O interior do Castelo, depois de termos passeado pelas muralhas.
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Cá fora, rodeando Serpa, o Aqueduto. Impressionante.
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Ainda o Aqueduto.
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