O Elogio da Mentira

Patricia Melo

Algures no início do ano conheci Patrícia Melo através do seu livro Inferno, de que falei aqui, e fiquei bastante impressionada. Aliás, ficámos os dois cá em casa, o que levou a cara-metade a comprar outro exemplar dela para prosseguirmos leitura.

Infelizmente, este Elogio da Mentira não é tão interessante. A premissa está engraçada, um escritor de romances policiais de cordel que se envolve com uma bióloga especialista em ofídios (cobras e afins) e tentam planear o crime perfeito para se verem livres do marido dela. No entanto a história por vezes perde-se em demasiadas voltas e torna-se um pouco maçadora.

O ponto alto é o sentido de humor de Patrícia Melo, e o sarcasmo com que analisa a nossa sociedade actual, neste caso a brasileira. Há personagens verdadeiramente deliciosas, como a mãe do protagonista que entra numa luta de megafones com os vendedores ambulantes e acaba por conseguir expulsá-los da rua, ou os escritores de livros de auto-ajuda e seus clichés, que me fizeram sorrir nas minhas viagens de autocarro. No entanto está longe do brilhantismo e do ritmo frenético que nos brindou com o livro que eu li no inicio deste ano.

Com O Elogio da Mentira cheguei à minha meta de 50 livros no Goodreads, mesmo na reta final do ano, por isso venham mais 50 para o ano.

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Boas Leituras!

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O Inferno segundo Patricia Melo

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 Acabei recentemente de ler mais um livro brasileiro. A literatura brasileira é muito refrescante, e esta autora, que eu não conhecia, consegue fazer um retrato muito realista sem ser miserável duma realidade da qual ouvimos falar, vemos por vezes em filmes (A Cidade de Deus é o que mais vem à ideia), mas que mesmo assim parece muito distante.

Reizinho é um menino duma favela do Rio de Janeiro, e durante todo o livro vamos seguir a sua história e a de todos que com ele se cruzam. Patricia Melo trabalha também como guionista, e isso é patente em todo o livro, de tal modo são intensas as suas descrições. Como leio essencialmente nos meus percursos de autocarro, às vezes quando levantava os olhos do livro para ver onde estava, tinha dificuldade em situar-me, de tal modo estava imersa no Rio de Janeiro.

Mas a história foi também muito cativante. Em retrospectiva, nenhum dos personagens, nem mesmo o Reizinho, conseguem criar empatia, e com muitos (a irmã dele por exemplo) eu sentia-me genuinamente irritada. Todos vivem de subterfúgios, de esquemas, todos querem ser mais espertos, mais ricos, mais fortes, melhores que os outros. E isso é verdade na favela, em Copacabana, ou em qualquer outro lugar do mundo.

Muito rápido de ler, estou curiosa em relação a mais livros da escritora. Recomendo a todos os que queiram ver mais do Brasil do que a Globo mostra.

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