Miró e os Livros

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Pormenor duma tela, ou como o Miró afinal conhecia o Peixinho. 

Resolvi começar a contar as minhas aventuras destas férias exactamente pelo fim, que foi o dia de hoje. Depois de uma semana no Alentejo com alguns contratempos pelo meio, esta manhã decidimos ter um tempo cultural. Já que tinha perdido a exposição do Miró em Serralves, desta vez não quis deixar escapar a oportunidade de a ver na Ajuda, por isso foi por lá que começámos o dia.

A exposição não é grande, apesar de ter 85 obras, mas creio que é bastante representativa de vários momentos da evolução deste pintor. O enquadramento dado pelo Palácio da Ajuda é também uma mais valia, uma espécie de casamento entre o antigo e a modernidade. Eu gostei muito, mas também seria difícil não gostar já que sou uma grande fã de Miró desde que via reproduções de quadros dele nas paredes da casa dos meus padrinhos. Por isso, para mim, está sempre associado a boas recordações. Achei também que era adequado no meio de tantas convulsões independentistas catalãs ver um pintor que era conhecido pelo seu orgulho catalão.

Depois da exposição vista, aproveitámos estar na zona para irmos até à Festa do Livro em Belém, mais para aproveitar e conhecer os jardins do Palácio de Belém, onde nunca tínhamos ido, do que propriamente comprar livros. Pelo menos, esse era o propósito inicial, juro que tinha a firme ideia de não comprar nada, mas foi claramente prova não superada. Eu e as pechinchas, ainda para mais quando aliam livros e viagens. Não resisti. Mas gostei muito da iniciativa, os jardins são lindíssimos, o facto de só estarem à venda autores portugueses foi um apontamento muito curioso e pertinente, o ambiente esta óptimo, ainda para mais com o Grupo Dixie da Banda da Armada que nos acompanhou durante todo o tempo que lá estivemos foi um bocado muito bem passado. Se forem ao Instagram do Peixinho vêm um bocadinho da atuação.

Cereja no topo do bolo foi que pudemos sair pelo Jardim Botânico e Tropical e ainda dar um pequenino passeio por lá, desfrutando das sombras e dos recantos escondidos.

A Festa do Livro está só até hoje, mas o Palácio de Belém e o Jardim são visitáveis noutras alturas e eu aconselho vivamente.

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A Festa do Livro, com a banda lá ao fundo.
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Depois vos digo se valeu a pena 😉
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3 sugestões de fim de semana (e não só)

Este fim de semana que passou, por causa do mau tempo, acabei por ficar metida em casa sem fazer grande coisa para além de aborrecidas tarefas domésticas. Ora, apesar de serem importantes e de nunca estarem realmente terminadas, não são propriamente satisfatórias (pelo menos para mim), e fico sempre com a sensação que me faltou alimento para o cérebro.

Por isso queria aqui deixar 3 sugestões que são, antes de mais nada, para mim própria. Ou seja, são as 3 exposições que tenho na calha e que espero sinceramente não perder. Duas delas estiveram ao rubro no fim de semana passado, com filas de espera, o que realmente mostra que andamos atentos aos nossos artistas. Por isso abriguem-se do mau tempo em qualquer uma delas.

Miró em Serralves: Tenho com Miró a mesma relação que tenho com tantos outros artistas. De alguma maneira insinuaram-se na minha infância, fizeram-se presentes devagarinho, e agora fazem parte da minha vida. Miró, Bosch e Chagall, estavam pendurados na sala dos meus padrinhos, que era onde eu dormia quando lá passava fins de semana, e adormecia a decorar pormenores dos quadros. De algum modo ficaram gravados na minha memória e foram os embriões do meu gosto por arte mais moderna, e sempre que tenho oportunidade de ver obras deles vou com agrado. Por isso ando a tentar arranjar um espacinho para ir até Serralves, espaço que muito me agrada, agora que me fizeram o favor de estender a exposição até dia 4 de Junho.

Almada na Gulbenkian: Almada Negreiros é um homem da modernidade e um artista muito completo. Pintor, escritor, escultor, desdobrava-se em demonstrações artisticas, algumas bem nossas conhecidas. Agora podemos ver uma exposição na Gulbenkian, cheia de eventos associados para melhor podermos compreender a sua dimensão. Até 5 de Junho.

Amadeo de Souza Cardoso no Museu do Chiado: A recriação duma exposição polémica deste artista feita em 1916, e muito aclamada por Almada Negreiros. Souza Cardoso foi um modernista que andou junto dos grandes, mas cuja morte prematura às “mãos” da gripe espanhola (e o facto de ser português), fez com que não tivesse o merecido reconhecimento internacional (e o nacional é o que se sabe). No entanto os seus quadros são espantosos, e estou ansiosa por ir ver esta exposição, que será também uma oportunidade para finalmente conhecer o Museu do Chiado.

Ficam as minhas sugestões. Irei dizendo de minha justiça à medida que as for visitando. Boas visitas!