A Verdade Sobre os Animais

truth about animals

Ou pelo menos alguns.

Em 1822 o Conde Christian Ludwig von Bothmer estava a caçar no seu castelo em Klutz, na Alemanha, quando abateu uma cegonha que trazia consigo algo estranho. O seu longo pescoço trazia atravessado uma longa lança de madeira, cheia de pinturas e gravações que cedo se descobriu serem de origem africana. E só aí se descobriu um enigma milenar. O que acontece às cegonhas que desaparecem todos os Invernos? Até então pensava-se que se transmutavam noutros animais (inclusive humanos), que hibernavam, ou até mesmo que ficavam dormentes no fundo de lagos.

São este tipo de curiosidades que enchem este livro, sobre bichos fofinhos como a cegonha, mas essencialmente sobre os mal amados como os morcegos, os abutres e os sapos. O livro está muito bem escrito, cheio de sentido de humor e se as minhas aulas de História do Pensamento Biológico tivessem tido metade da piada deste livro, eu teria faltado muito menos vezes.

Livros como este, escritos por cientistas (a autora é uma zoóloga da National Geographic com um largo currículo no estudo de preguiças, fundadora da Sociedade para Apreciação das Preguiças), mas bem escritos, com bom humor e recheados de factos que os tornam ao mesmo tempo informativos e interessantes, fazem mais pelo interesse pela ciência do que muitas aulas a que somos obrigados a assistir.

Neste livro vamos encontrar, como já disse, muitas curiosidades sobre pandas e hienas, perceber que as preguiças são afinal um prodígio de adaptação ao meio em que vivem, mas temos também uma lição de História Natural, e como os métodos de investigação evoluíram (e ainda bem) ao longo dos tempos. Devemos muito aos primeiros naturalistas que, aventureiramente, se lançaram em busca de explicações para o mundo que nos rodeia, mas os métodos que eles usavam fazem-nos hoje tremer por dentro. O ilustre cientista Lazzaro Spallanzani, responsável por desmistificar a Teoria de Geração Espontânea e primeiro a estudar a ecolocalização dos morcegos, recorreu a métodos de investigação que tinham tanto de sistemáticos como de assustadores, e muitos morcegos sofreram nas suas mãos. No entanto, o modo como tudo está descrito não pode deixar de nos pôr pelo menos um sorriso nos lábios.

Mas não pensemos que hoje é tudo um mar de rosas, pois se lermos o capítulo sobre os fofíssimos pandas, e o modo como eles estão a ser reproduzidos em cativeiro, em tudo semelhantes às puppy farms que tanto queremos extinguir, em nome de serem usados como moeda de troca em negócios diplomáticos, se calhar vamos pensar duas vezes da próxima vez que quisermos partilhar um vídeo viral daqueles bebés de cativeiro.

Aconselho a todos os que são fãs de National Geographic, natureza, conhecimento, história e sobretudo livros bem escritos que nos façam pensar.

Goodreads Review

Boas Leituras!

There is nothing terminally wrong with these animals that we need to fix; the only thing we need to fix is to give them their home back.” Sarah Bexell agreed. “I really worry that it is wildlife conservation’s way of saying, ‘see, guys, we can do this, we are scientists and we’re fixing this huge biodiversity crisis problem and we can right the wrongs of our entire species by doing these little projects.’ it’s a feelgood story. The public feels good and sits back and eats their potato chips in their la-Z-boys and drives their SUVs, has a five-bedroom house and three kids, and says, ‘Great, those scientists are out there fixing this problem for me,’” she said. “but science is not going to save biodiversity; a shift in human behavior is the only thing that is going to save it. I think there needs to be more effort, first and foremost, in getting the human population under control globally, and for people to start contemplating not being such mass consumers.”

 

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