Os livros que ninguém lê

couplereading

Na internet há lugar para tudo, e há mesmo um canto escondido para os livros que ninguém lê. São aquelas pérolas escondidas (ou talvez não), pouco apreciadas, e que em inglês dão pelo nome de Neglected Books.

Vale a pena dar uma espreitadela por lá, apesar de estar muito direcionado, como quase sempre nestas coisas, para o mundo anglo-saxónico. Lá pelo meio podem encontrar-se verdadeiras gemas, mas na realidade a grande maioria dos livros são ilustres desconhecidos.

Para mim o site peca pela dificuldade de busca. Não há (ou pelo menos eu não encontrei), um local onde estejam agregados os autores por ordem alfabética. Por outro lados as críticas aos livros são deliciosas e quase todos apetecem ler.

É como passear por um velho alfarrabista sem o ataque de asma. E na realidade sem sair de lá com o livro, porque se quisermos algum ainda temos de procurar sítio online onde o comprar.

Vão lá espreitar e digam o que acharam.

Anúncios

A Revolução Informática

Saiu por estes dias na comunicação social que pela primeira vez um livro escrito por um software de inteligência artificial conseguiu passar a primeira fase dum concurso literário. O livro chama-se, muito a propósito, “The day a computer writes a novel”, e tudo isto se passa obviamente no Japão.

E isso deixou-me a pensar. Não sou uma pessoa purista, nem tenho ideias preconcebidas. Não tive qualquer dificuldade em deixar o suporte de papel e passar a ler (quase) tudo em formato digital. No entanto, isto é um salto mental que ainda me custa dar.

Poderemos fazer grandes reflexões sobre o que define arte e literatura, para saber se este livro será efectivamente um trabalho literário na verdadeira acepção do termo. Mas isso levar-nos-ia a uma longa discussão, quase sempre infrutífera, já que outros autores muito humanos claramente também não se enquadram na definição “artistica” de literatura.

Por isso limito-me a dar a minha opinião de leiga. Para mim, cada livro que leio, daqueles que valem mesmo a pena e não são só para passar o tempo, levam-me a longas investigações online sobre a história e contexto do autor para tentar descortinar um pouco mais sobre o que o terá levado a escrever assim. O que o autor viveu, pensou, experienciou, influencia claramente tudo aquilo que ele escreve. Também a sua ideologia passa para o papel, pela qual nós nos podemos deixar ou não influenciar, mas é importante saber que ela está lá.

Por isso parece-me que estes livros escritos em computador são interessantes enquanto exercicio de inteligência humana, e de teste dos seus limites, mas dificilmente me convencerão a ler algum para já. Especialmente quando ainda tenho tantos humanos para descobrir.