Na Calha

Para Ler

A minha pilha de livros para ler deu mais um salto esta semana. Para começar há sempre quem goste de me presentear com livros no meu aniversário, e que bom que assim é. Depois tive umas mini férias onde aproveitei para rever velhas amizades, bibliófilas como eu, e com quem troquei ideias e nomes de livros. Por fim, o Peixinho Vermelho teve um ataque de consumismo e resolveu comprar um livro também. Quatro livros novos, três são portugueses, parece-me muito bem! Mas vamos por partes, e ver o que está na calha.

José Rodrigues Miguéis, Páscoa Feliz: Não conheço este escritor, mas a amiga que me ofereceu este livro é a mesma responsável pelo João Sem Medo e Era Bom Que Trocássemos Umas Ideias Sobre o Assunto, por isso a expectativa é alta. Gosto de literatura assim, cheia de portugalidade mas não daquele lirismo bacoco do antigamente. Com o nosso ADN, as nossas idiossincrasias, a nossa identidade. Depois falarei dele aqui.

Mário de Carvalho, O Livro Grande de Tebas, Navio e Mariana: Um escritor que gostei muito quando li o livro que falei acima, Era Bom Que Trocássemos Umas Ideias Sobre o Assunto. Escrita aparentemente simples, mas um vocabulário muito rico. Precisei mais vezes dum dicionário do que quando leio livros em inglês. Uma história irónica e fluida, um retrato social de costumes que gostei muito. Entusiasmada por começar a ler este.

José Rentes de Carvalho, A Amante Holandesa: Li nas férias passadas, cortesia dum passatempo da TimeOut o último livro deste obscuro autor radicado há anos na Holanda. Gostei bastante, tal como o Peixinho Vermelho, que resolveu que estava na altura de comprar mais um para juntar à nossa biblioteca. Já vem a caminho.

Shirley Jackson, We Have Always Lived in the Castle: Por último, uma amiga que me aconselhou muitas das coisas boas que já li na vida, e com tenho gostos muito parecidos, incluindo Margaret Atwood, aconselhou-me este livro. Pela sinopse parece-me que sai um bocadinho da minha zona de conforto, o que é só mais uma razão para o ler. Estou ansiosa, e depois direi aqui de minha justiça… suspense gótico… se conseguir dizer alguma coisa.

E pronto, por hoje é tudo que ainda tenho 25% do Fall of Hyperion para acabar de ler, o livro que não sei se quero que acabe ou se não me quero separar daquelas personagens nunca.

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Uma família às direitas

O Meças

Estes poucos dias de descanso que tive em Agosto revelaram-se muito produtivos para livros de produção nacional. Depois de devorar um dos que comprei na estação de serviço, do João Aguiar, peguei finalmente noutro que tinha ganho num passatempo da Time Out. Mais um, depois do Dog Mendonça do Filipe Melo. Todos os meios são bons para arranjar boas leituras, especialmente em português.

Nunca tinha lido nada deste autor, e para ser extremamente sincera nem sequer tinha ouvido falar dele. O Peixinho Vermelho é que me disse para concorrer porque queria ler este livro, e eu assim fiz e tive sorte. Depois disso já vi um episódio da série Os Livros sobre o autor, e fui obviamente pesquisar sobre a sua vida. Fiquei a saber entre outras coisas que Rentes de Carvalho tem um blog, Tempo Contado, ao qual eu agora dou uma espreitadela regular.

O Meças é um livro muito interessante. A escrita é densa e quase poética, cheia de reflexões e pensamentos. Os personagens são todos difíceis e por nenhum senti sequer empatia, no entanto não consegui deixar de ler vorazmente a história e seguir todos os seus movimentos com atenção. O personagem que dá título ao livro é um velho irascível e dominador, que se vê a braços com o filho e a nora. No meio de tudo isso aparece um outro homem misterioso cuja relação com a história se vai revelando lentamente mas que também não nos aquece o coração.

Mais que tudo percebe-se um profundo conhecimento da natureza humana, das dificuldades dos meios rurais e a velha máxima que em terra de cegos quem tem um olho é rei. Acho que se consegue também sentir a nostalgia de quem, como o autor, vive longe do seu país há muitos anos e tem já sobre ele um olhar desapiedado e cru, fruto talvez das circunstâncias em que foi forçado a abandoná-lo.

Fiquei fã e com vontade de investigar mais livros do autor. Terei de investigar nos meus alfarrabistas do costume ou esperar que a Time Out faça mais passatempos do mesmo género. Se alguém souber de alguma coisa, que passe palavra.

Goodreads review

O Meças 2