Livros que Recomendo – Into Thin Air

into thin air

Faz sensivelmente um ano, mais coisa menos coisa, que eu vim aqui recomendar o livro mais conhecido deste escritor. Into the Wild é um dos livros que ainda hoje tem um lugar especial no meu coração, e que eu gosto de partilhar com quem gosta de bons livros.

Mas Jon Krakaeur é um jornalista de actividades ao ar livre, desportos radicais, e por isso embarcou numa expedição ao Everest em 1996 para escrever sobre o assunto para a sua revista da altura, a Outside. Tendo sido uma das mais letais épocas de escalada que há memória, Krakaeur viu a sua vida em risco e vem neste livro contar os factos no seu ponto de vista.

Em 1996 várias expedições e montanhistas a solo estavam a preparar-se para ascender ao cume da montanha mais alta do mundo. Duas dessas expedições, a de Rob Hall (Adventure Consultants) e Scott Fisher (Mountain Madness) estavam entre as maiores e os seus guias eram uma espécie de super estrelas do montanhismo. Muita coisa correu mal nesta expedição. Em resumo, a subida foi começada a 6 de Maio, numa tentativa de evitarem a tempestade que se sabia estava a caminho e chegaria a 10 de Maio, no entanto muitos erros foram cometidos por todos os envolvidos, e a descida acabou por atrasar imenso, tendo sido apanhados em pleno pela enorme tempestade. Houve mortos do lado Norte e Sul (as duas vias de aproximação ao cume), no entanto foi o Sul o lado mais afectado, também porque estava mais sobrelotado. No total, nestes dois dias morreram 8 pessoas, e na época toda 12.

Mas estes são apenas os factos, relatados a frio, e o livro é muito mais que isso. Krakaeur é um exímio escritor, perito em dar vida aos seus personagens, que neste caso eram pessoas bem reais, com história, família, ambições e responsabilidades. Apesar de não ser um olhar isento, já que a sua ascensão ao cume foi feita integrado na equipa de Rob Hall, um neo-zelandês que estava a poucos meses de ser pai, tem uma visão a partir do interior, que muito nos ajuda a viver também esses dias trágicos.

O montanhismo, a escalada destes gigantes terrenos exerce um fascínio em muitos que me ultrapassa. Mas gosto de ler sobre isso sentada no conforto do meu sofá, com os pés quase ao nível da água do mar. Não percebo esta coisa de desejar estar sempre com a adrenalina em alta, sempre no fio da navalha, no entanto respeito quem gosta de se desafiar dessa maneira, e este livro está magistralmente escrito. Tal como em Into the Wild, chorei copiosamente com o final deste livro, já que o autor tem o condão de tornar os personagens em nossos amigos pessoais.

Tal como o anterior, também este livro foi polémico, com muitas respostas de outros dos presentes que contaram as suas versões. Mas este é um dos testemunhos e muito bem escrito. Alguns dos sobreviventes deste desastre já morreram entretanto noutras escaladas, o que nos deixa a pensar.

Foi feito um filme em 2015 (e um telefilme anteriormente do qual nem vale a pena falar), que sem ser espectacular é bastante interessante.

Recomendo a todos os amantes de não ficção, de livros bem escritos, de adrenalina e desportos radicais e da vida em geral.

Boas Leituras!

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Livros que Recomendo – Into the Wild

into the wild

 

Mais uma vez venho aqui falar dum livro de não ficção, e um dos meus livros favoritos de sempre (quantas vezes já terei dito isto aqui? Mas é mesmo verdade). Não se passaram muitos anos desde que o li, mas deixou uma marca profunda em mim, e sempre que posso aconselho a sua leitura. E venho mais uma vez fazer o mesmo.

Este livro é o resultado de uma investigação feita por Jon Krakaeur sobre a vida e a morte de Christopher McCandless. Mas o que tem este jovem de especial para se dedicar um livro e um filme ao seu mito? Bom, tudo e nada.

Chris McCandless foi um jovem americano que após terminar a faculdade percebeu que estava insatisfeito com a sua vida e queria experimentar algo mais. Inspirado nos textos de Thoreau e Jack London, dois escritores/pensadores do século XIX, início do XX que se dedicaram a escrever sobre uma vida mais ligada à natureza no seu estado mais puro e selvagem (uma reação à industrialização que começava em força na altura), McCandless decidiu abandonar tudo o que possuía, e começar uma deambulação sem rumo pelos Estados Unidos, fazendo trabalhos manuais e conhecendo pessoas em diversos locais. Para isso assumiu a persona de Alexander Supertramp, mais uma vez baseado no poeta W. H. Davies.

Finalmente rumou ao Alaska, profundamente mal equipado, onde iria passar o Verão a sobreviver do que a terra lhe providenciasse numa experiência de grande ligação à Natureza, mas acabou por morrer de fome, ou possível envenenamento por alguma planta. As causas da sua morte foram alvo de muita polémica, bem como as suas escolhas de vida.

Muitos, e legitimamente, não conseguem ver nesta insatisfação mais do que uma birra dum pobre menino rico, que tinha tudo mas que resolveu abdicar duma vida segura para se pôr a si próprio em perigo e no caminho magoar a sua família sem consideração.

Mas para muitos outros, nos quais me incluo, Chris/Alexander era um visionário, um inquieto, que sabia que tinha de haver mais qualquer coisa para além deste quotidiano monótono onde todos somos iguais e conformados aos mesmos valores e estéticas e que a resposta para isso estará numa maior proximidade com as pessoas e com a natureza no seu estado mais inalterado. Para além de ter dado origem a um filme de Sean Penn, com música de Eddie Vedder, as citações dos escritos que Chris deixou nos seus cadernos e nas margens dos livros que lia encontram-se diariamente por toda a internet, mesmo já tendo passado 26 anos da sua morte.

No meu caso ainda me lembro bem de estar a chegar à minha paragem para o emprego quando o livro chegou ao fim, ter lágrimas grossas a correr cara a baixo e quase não ter presença de espírito para perceber que tinha de sair.

Um livro belíssimo, que aconselho a todos, nesta semana em que Chris teria feito 50 anos.

Boas leituras!

So many people live within unhappy circumstances and yet will not take the initiative to change their situation because they are conditioned to a life of security, conformity, and conservatism, all of which may appear to give one peace of mind, but in reality nothing is more damaging to the adventurous spirit within a man than a secure future. The very basic core of a man’s living spirit is his passion for adventure. The joy of life comes from our encounters with new experiences and hence there is no greater joy than to have an endlessly changing horizon, for each day to have a new and different sun

chris mccandless

 

 

 

Original Sound Track

Wait for me

 

Um bom livro geralmente merece uma boa banda sonora. Eu pelo menos sou muito influenciada pelo ambiente que me rodeia enquanto leio, e embora não necessite de silêncio absoluto (coisa impossível de obter nos autocarros da Carris), se a envolvência for demasiado hostil o meu leitor de MP3 ajuda sempre.

 Depois sou normalmente um bocadinho obssessiva e ouço o mesmo album ad eternum, em repeat, até me fartar. Por isso acontece muitas vezes um album acompanhar-me durante o tempo que me leva a ler um livro inteiro, tornando-se a sua banda sonora.

No caso do album acima (Moby – Wait for me), ainda hoje de cada vez que ouço alguma das suas músicas sou imediatamente transportada para paisagens geladas, inóspitas, cobertas de neve e tristeza profunda. Li com esse albúm dois livros de seguida do mesmo autor, Into the Wild e Into Thin Air, dois livros que me impressionaram imenso, por razões diferentes.

Ambos descrevem regiões inóspitas e geladas, o primeiro culmina no Alaska, e o segundo passa-se no Everest. Ambos retratam pessoas em busca de sentido em viagens impossiveis, e ambos terminam de maneira terrivel.

Creio que nos dois casos acabei com lágrimas a correr-me pela cara, o que para quem me conhece sabe que é dificil acontecer, não sou pessoa de emoção fácil. Os meus vizinhos de autocarro olharam-me com ar preocupado, entre a pena e a incredulidade.

Mas não consigo ouvir esta música sem me sentir ao mesmo tempo triste e a viajar. Um cheirinho aqui.