Livros que Recomendo – Into the Wild

into the wild

 

Mais uma vez venho aqui falar dum livro de não ficção, e um dos meus livros favoritos de sempre (quantas vezes já terei dito isto aqui? Mas é mesmo verdade). Não se passaram muitos anos desde que o li, mas deixou uma marca profunda em mim, e sempre que posso aconselho a sua leitura. E venho mais uma vez fazer o mesmo.

Este livro é o resultado de uma investigação feita por Jon Krakaeur sobre a vida e a morte de Christopher McCandless. Mas o que tem este jovem de especial para se dedicar um livro e um filme ao seu mito? Bom, tudo e nada.

Christ McCandless foi um jovem americano que após terminar a faculdade percebeu que estava insatisfeito com a sua vida e queria experimentar algo mais. Inspirado nos textos de Thoreau e Jack London, dois escritores/pensadores do século XIX, início do XX que se dedicaram a escrever sobre uma vida mais ligada à natureza no seu estado mais puro e selvagem (uma reação à industrialização que começava em força na altura), McCandless decidiu abandonar tudo o que possuía, e começar uma deambulação sem rumo pelos Estados Unidos, fazendo trabalhos manuais e conhecendo pessoas em diversos locais. Para isso assumiu a persona de Alexander Supertramp, mais uma vez baseado no poeta W. H. Davies.

Finalmente rumou ao Alaska, profundamente mal equipado, onde iria passar o Verão a sobreviver do que a terra lhe providenciasse numa experiência de grande ligação à Natureza, mas acabou por morrer de fome, ou possível envenenamento por alguma planta. As causas da sua morte foram alvo de muita polémica, bem como as suas escolhas de vida.

Muitos, e legitimamente, não conseguem ver nesta insatisfação mais do que uma birra dum pobre menino rico, que tinha tudo mas que resolveu abdicar duma vida segura para se pôr a si próprio em perigo e no caminho magoar a sua família sem consideração.

Mas para muitos outros, nos quais me incluo, Chris/Alexander era um visionário, um inquieto, que sabia que tinha de haver mais qualquer coisa para além deste quotidiano monótono onde todos somos iguais e conformados aos mesmos valores e estéticas e que a resposta para isso estará numa maior proximidade com as pessoas e com a natureza no seu estado mais inalterado. Para além de ter dado origem a um filme de Sean Penn, com música de Eddie Vedder, as citações dos escritos que Chris deixou nos seus cadernos e nas margens dos livros que lia encontram-se diariamente por toda a internet, mesmo já tendo passado 26 anos da sua morte.

No meu caso ainda me lembro bem de estar a chegar à minha paragem para o emprego quando o livro chegou ao fim, ter lágrimas grossas a correr cara a baixo e quase não ter presença de espírito para perceber que tinha de sair.

Um livro belíssimo, que aconselho a todos, nesta semana em que Chris teria feito 50 anos.

Boas leituras!

So many people live within unhappy circumstances and yet will not take the initiative to change their situation because they are conditioned to a life of security, conformity, and conservatism, all of which may appear to give one peace of mind, but in reality nothing is more damaging to the adventurous spirit within a man than a secure future. The very basic core of a man’s living spirit is his passion for adventure. The joy of life comes from our encounters with new experiences and hence there is no greater joy than to have an endlessly changing horizon, for each day to have a new and different sun

chris mccandless

 

 

 

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Original Sound Track

Wait for me

 

Um bom livro geralmente merece uma boa banda sonora. Eu pelo menos sou muito influenciada pelo ambiente que me rodeia enquanto leio, e embora não necessite de silêncio absoluto (coisa impossível de obter nos autocarros da Carris), se a envolvência for demasiado hostil o meu leitor de MP3 ajuda sempre.

 Depois sou normalmente um bocadinho obssessiva e ouço o mesmo album ad eternum, em repeat, até me fartar. Por isso acontece muitas vezes um album acompanhar-me durante o tempo que me leva a ler um livro inteiro, tornando-se a sua banda sonora.

No caso do album acima (Moby – Wait for me), ainda hoje de cada vez que ouço alguma das suas músicas sou imediatamente transportada para paisagens geladas, inóspitas, cobertas de neve e tristeza profunda. Li com esse albúm dois livros de seguida do mesmo autor, Into the Wild e Into Thin Air, dois livros que me impressionaram imenso, por razões diferentes.

Ambos descrevem regiões inóspitas e geladas, o primeiro culmina no Alaska, e o segundo passa-se no Everest. Ambos retratam pessoas em busca de sentido em viagens impossiveis, e ambos terminam de maneira terrivel.

Creio que nos dois casos acabei com lágrimas a correr-me pela cara, o que para quem me conhece sabe que é dificil acontecer, não sou pessoa de emoção fácil. Os meus vizinhos de autocarro olharam-me com ar preocupado, entre a pena e a incredulidade.

Mas não consigo ouvir esta música sem me sentir ao mesmo tempo triste e a viajar. Um cheirinho aqui.