A Vegetariana ou o mundo dos sonhos

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Falei há uns tempos no vencedor do Man Booker International deste ano, The Vegetarian, e finalmente tive a oportunidade de o terminar. Mesmo agora que a versão traduzida para português está quase a chegar.

Foi um livro difícil de entrar a principio, e durante as primeiras páginas estive um pouco indecisa se gostava ou não do que lia. O primeiro narrador não é um personagem por quem se sinta simpatia, e as diferenças culturais são notórias e nem sempre fáceis de gerir, principalmente para nós mulheres. No entanto a história começa a desenrolar-se e a ser cada vez mais envolvente e leva-nos de arrasto pelo estranho mundo dos sonhos.

Na realidade o vegetarianismo não é o ponto central do livro e serve apenas como ponto de partida, ou se quisermos, como ponto de referência. Neste caso é um símbolo de quebra das normas e convenções, de asserção de individualidade pessoal e de como isso pode ser incómodo para os que nos rodeiam.

Até que ponto é fácil para nós seguirmos os nossos sonhos e as nossas convicções, ou estamos na realidade presos a ideias pré concebidas, e conceitos de normalidade e sobretudo a uma ideia muito generalizada de como a vida deve ser vivida e a que padrões devemos aderir. Até que ponto seguir indiscriminadamente um sonho sem apoios acaba por nos poder levar à loucura.

Um livro que é por vezes lindíssimo, com imagens de pura beleza, principalmente no segundo capítulo, noutras vezes frio e brutal, lê-se num sopro e deixa-nos a pensar.

Recomendo a todos que gostam de histórias pouco convencionais, do colorido asiático e de reflectir.

Goodreads Review

“Perhaps this is all a kind of dream” She bows her head. But then, as though suddenly struck by something, she brings her mouth right up to Yeong-hye’s ear and carries on speaking, forming the words carefully, one by one. “I have dreams too, you know. Dreams… and I could let myself dissolve into them, let them take me over… but surely the dream isn’t all there is? We have to wake up at some point, don’t we? Because… because then…”

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Man Booker Internacional 2016

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O prémio Man Booker existe desde 1969 e destina-se a premiar o que em cada ano é considerado o melhor livro de ficção, eleito por um painel de juizes. Existe em duas versões, o Man Booker propriamente dito, para todos os livros escritos originalmente em inglês independentemente da nacionalidade do autor, e o Man Booker International para os livros traduzidos para inglês. Em qualquer das versões os livros têm de ter sido publicados no UK.

No passado dia 16 de Maio foi atribuido o Man Booker International de 2016, The Vegetarian da sul-coreana Han Kang. Pela descrição parece um livro interessante e estranho, mesmo o género que eu costumo gostar. Já está na minha lista “to read”. Não esquecer também que José Eduardo Agualusa tinha chegado à shortlist com Teoria Geral do Esquecimento.

O prémio Man Booker ainda está em processo, sendo que a lista candidatos será divulgada a 27 de Julho, os finalistas serão conhecidos a 13 de Setembro e o vencedor será divulgado a 25 de Outubro.

Tradicionalmente  saem boas sugestões de leitura destas listas, e foi através deste prémio que conheci Ruth OsekiJhumpa Lahiri e Eleanor Catton, tudo livros excelentes.

Vou manter-me a par.