Acabei de Ler – Inspector Maigret #4

simenon

Já há bastante tempo que tenho o projecto de ler/reler todos os livros de Poirot pela sua ordem de publicação, tarefa hérculea que eu tenho desempenhado lentamente (como sempre, é uma maratona, não um sprint). Depois de ter conhecido o Inspector Maigret através do Netgalley, acabei por estender esse projecto também aos livros de Simenon que são protagonizados por esta personagem.

Ora, como comecei mais tarde, naturalmente estou mais atrás, e supostamente deveria ter lido o livro número 2, The Late Mousieur Gallet. Infelizmente o meu cérebro de recém mamã está severamente debilitado, fiz confusão e saltei directamente para o quarto volume. Após um curtíssimo episódio de pânico obsessivo-compulsivo, resolvi que não era assim tão importante e retomarei a ordem no próximo livro. Mas ainda tenho alguns restos de urticária.

Então, acabei de ler The Carter of La Providence, e foi um livro muito desafiante. Como sabem faço a maioria das minhas leituras em inglês, mas nem sempre isso corre sem sobressaltos. Desta vez todo o livro é passado em cenário náutico, nos canais franceses, e o vocabulário era extremamente específico e também datado. Começa logo pelo título, o que é um carter, sendo que La Providence era o nome de um pequeno barco. O dicionário não foi ajuda neste caso, e depois de alguma investigação acabei por perceber que é uma figura que reboca barcos através dos canais quando estes estão impossibilitados de navegar, nomeadamente quando atravessam elevadores. Neste caso o reboque era feito por dois cavalos.

Passado este percalço inicial, fiquei com uma história bem interessante e onde o culpado não era óbvio, nem o enredo nos era dado de mão beijada. Talvez por não conhecer tanto de Simenon como de Agatha Christie, este ainda consegue ter algum mistério.

Não me vou alongar a relatar a história, mas recomendo-a a todos os que gostam de livros policiais, com uma história bem contada e longe dos estafados cenários anglo-saxónicos.

Boas Leituras!

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O Primeiro Maigret

Pietr the Latvian

Aqui há bem pouco tempo o Netgalley deu-me a oportunidade de conhecer o Inspetor Maigret e o seu autor, Georges Simenon. Como gostei tanto, aproveitei as férias para ler aquela que foi a sua primeira história, porque nada como começar pelo início para perceber bem a evolução duma personagem.

Maigret é radicalmente diferente do meu outro inspetor de estimação, o Poirot. Para começar, interessa-se muito mais pelo método científico, as provas, é um homem de acção, de fazer, mais do que ficar parado a pensar. No entanto, tal como o nosso amigo belga, é um profundo conhecedor da natureza humana e do que motiva as pessoas.

O facto de toda a acção se passar em Paris torna o livro muito refrescante, pois é uma quebra com a realidade anglo-saxonica que nos é constantemente apresentada.

O facto de ter sido escrito em 1929 torna este livro muito livre, sem a ditadura do politicamente correto que nos escraviza hoje em dia, por isso podemos encontrar coisas escritas que seriam impensáveis nos dias de hoje.

Aconselho a todos os amantes de policiais, e boas histórias, bem escritas.

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Inspector Maigret

Maigret

Eu sou uma pessoa que até gosta de livros policiais, e bastante fã de Agatha Christie, especialmente dos livros do Poirot. No entanto, até o Netgalley me ter apresentado este livro do Inspector Maigret eu nunca tinha lido nada desta série, nem sequer tinha visto nada em cinema ou televisão. Suponho que seja por associar o autor (Georges Simenon) a uma coisa francesa e chata que só passava no canal 2 depois da meia noite, ou livros que eram vendidos em alfarrabistas, e por isso nunca dei o beneficio da dúvida.

Entretanto a minha opinião sobre as coisas que passam no canal 2 depois da meia noite, e sobre os livros que são vendidos em alfarrabistas mudou radicalmente e talvez tenha sido isso que me levou a pedir este livro. E, mais uma vez, ainda bem que o fiz.

O Inspector Maigret é na realidade o equivalente francês do Poirot. As histórias são passadas maioritariamente em Paris, e Simenon foi um escritor incrivelmente prolífico, tal como a Agatha Christie. Maigret foi um personagem largamente inspirado num inspector que existia na vida real, amigo do autor, e, a julgar por esta história, com um feitio especial.

O livro que li, Maigret and the Tall Woman (Maigret et la Grande Perche no original), foi publicado em 1951, sensivelmente a meio da carreira literária dos livros de Maigret, que vão desde 1931 a 1972. Menos cerebral que Poirot, o inspector gosta de pôr as mãos na massa e liderar a investigação, com um séquito de fieis adjuntos. No geral, gostei bastante, principalmente porque saímos das paisagens típicas do mundo anglo-saxonico e estamos num ambiente mais europeu, o que torna o livro mais cativante. Quase que me conseguia imaginar numa esplanada parisiense a beber um Pernod com o Kindle na mão e  a ler o desenrolar do caso.

Tenho mais 74 livros para o poder fazer, mas fica definitivamente na minha bucket list. O livro, aconselho a todos os fãs de histórias policiais que queiram passar um bom bocado. Da minha parte vou investigar mais títulos.

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