Ainda o Game of Thrones

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Não deve haver ninguém com acesso ao mundo digital que não saiba que está a ser transmitida a tão esperada última temporada do Game of Thrones. Mesmo aqueles que aproveitam todas as oportunidades para nos relembrar que nunca assistiram a um episódio. Ora, eu tive uma relação tardia com esta série. Li os livros e estava bem assim, tirando o facto de que o senhor George R. R. Martin nunca mais se digna a terminar os últimos volumes para finalmente percebermos o que iria acontecer em Westeros.

Quando finalmente perdi a esperança de alguma vez saber o final da história via livro, resolvi que ver a série era melhor que nada, já que pelo menos me traria algum sentimento de conclusão a uma história que andou comigo desde 2012. Por isso o ano passado vi todas as seasons de empreitada e fiquei pacientemente à espera que este ano terminasse a agonia.

Eu nem sou pessoa de estar sempre a refilar do que está diferente na série/filme em relação ao livro que lhe deu origem. Há concessões que têm que ser feitas, liberdades artísticas que têm que ser tomadas, etc. Mas esta é a primeira temporada que não tem rigorosamente nada dos livros em que se apoiar, e isso é gritante. As incongruências, soluções fáceis e previsiveis que nos têm sido apresentadas são mais que muitas.

No fundo, parece as coisas que eu escrevia, com as devidas distâncias. Quando eu era miúda adorava escrever contos. Começava sempre com histórias muito elaboradas, um belo plano de acção. Depois aborrecia-me, mas como não queria deixar aquilo por terminar, dava assim um final a correr, escrito às 3 pancadas, só para me livrar daquilo. Na realidade, se pensar bem no assunto, era também assim que eu fazia os meus exames de faculdade. Não tinha paciência para estar 3 horas fechada numa sala a escrever, começava a ter ataques de liberdade, e acabava tudo de qualquer maneira só para poder sair da sala.

Na realidade os argumentistas do GOT parecem estar a ter uma maciço ataque de liberdade.

Depois, é incrivelmente mais dificil seguir uma série quando se tem um piolho de mês e meio cuja principal função na vida é chorar, tentar ensurdecer os pais ou levá-los à loucura. Temos sorte se conseguirmos acabar de ver um episódio antes de ser transmitido o da semana seguinte. O que significa que andar no Facebook é como pisar terreno minado, porque aparentemente o novo desporto é inundar as redes sociais de spoilers e tentar estragar a experiência a todos os desgraçados que não estão agarrados à televisão às 2 da manhã.

E pronto, queria partilhar o meu descontentamento sobre o GOT, coisa na realidade pouco relevante, mas que se coaduna com a minha capacidade cerebral do momento.

Boas Leituras!

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You know nothing, Jon Snow!

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Se desconfiam que o Peixinho tem andando desaparecido porque tem andado numa maratona infinita de Game of Thrones, como anunciado há uns posts atrás, desconfiam bem. Tal como eu suspeitava, a minha box com quase 10 anos não teve espaço para gravar todas as temporadas (nem uma inteira, na realidade), por isso desde dia 11 que temos andado num contra-relógio cá em casa para despachar o máximo de episódios possíveis antes que desapareçam das gravações automáticas.

Esta semana quase recusámos um convite para jantar só para não perdermos mais uma maratona de episódios, porque mesmo assim só vamos a meio da terceira temporada, mas o bom senso permaneceu e conseguimos privilegiar o contacto humano , e passar um serão com amigos a discutir a série. Entretanto os episódios já desapareceram da box, e só conseguimos despachar as três primeiras temporadas, teremos de encontrar formas alternativas de ver as 3 que faltam.

Claro que tudo já foi debatido até à exaustão mas mesmo assim o Peixinho quer tecer algumas considerações:

  • A série está bem adaptada. Na generalidade dos casos não ando pelos cantos amuada porque assassinaram o carácter das minhas personagens favoritas, ou porque as situações são irreconheciveis. As concessões que se fizeram são perceptiveis e bem justificadas. Há várias dezenas de personagens no livro, que seria impossível de reproduzir na série, por isso os cortes feitos fazem sentido. As personagens que eu mais gostava nos livros (Tyrion, Arya, Lady Olena) continuam a ser as favoritas no pequeno ecrã.
  • Visualmente a série está muito bem conseguida. Não só os cenários, mas também os actores parecem ter sido escolhidos a dedo para encarnar cada papel. Foi como se a minha imaginação tivesse saltado cá para fora. Sinto falta dos direwolfs (tinham um papel mais activo nos livros), mas CGI é caroe o Hodor é talvez o mais diferente do que eu tinha imaginado.
  • Ajuda muito ter lido os livros em 2012, porque assim muitos pormenores estão difusos mas a linha principal da história continua viva, o que me leva de novo ao primeiro ponto, não ando para aí a refilar das coisas que foram omitidas ou alteradas e consigo ver os episódios mais descontraídamente.
  • Como nota final, queria falar da tradução. Eu li os originais em inglês, e sei que ser tradutor não é tarefa fácil, no entanto há coisas que temos de ter em atenção. Os nomes foram todos traduzidos para português, e percebe-se já que os nomes dos locais eram de algum modo descritivos. No entanto há uma dignidade em Highgarden que não existe em Jardins de Cima. O mesmo para Eastwatch/Atalaiaeste, e como estes poderia citar inúmeros exemplos que me fazem encolher de cada vez que aparecem no ecrã. Culminou com a filha do Craster, Gilly, que se traduziu por… Goiva… Goiva nem sequer é um nome que exista, e mesmo que pretendam que seja uma flor (que era o que pretendiam), quem raio sabe o que é uma goiva? Por curiosidade pesquisei goiva no google e deixo-vos com a imagem abaixo.

goiva profissional com 10