Livros que Recomendo – À Boleia Pela Galáxia

marvin

Imaginem que estão uma bela manhã de pijama e roupão em vossa casa a arranjarem-se para ir trabalhar quando descobrem que tudo o que conhecem vai ser arrasado para dar origem a uma autoestrada. E não estou a falar do vosso prédio, nem mesmo do vosso bairro. Na realidade é todo o planeta Terra que está no caminho duma nova super autoestrada estelar e simplesmente tem de desaparecer. Felizmente o vosso melhor amigo, Ford Prefect, é na realidade um extraterrestre a estudar os nossos hábitos para uma enciclopédia de mochileiros e ajuda-vos a fugir, mas vocês apenas têm tempo de levar uma toalha. Felizmente este é o item mais importante em todas as viagens espaciais. Isso e o guia de mochileiros espaciais, para o qual o vosso melhor amigo trabalhava. Acima de tudo não entrem em pânico, tudo vai correr bem.

Esta é a premissa sobre a qual assenta o livro de Douglas Adams, À Boleia Pela Galáxia, uma trilogia de 5 livros, que nos leva por uma odisseia estelar de puro nonsense e boa disposição. Essa viagem inclui uma visita ao planeta onde se constroem planetas de luxo, a descoberta do sentido da vida, do Universo e de tudo, um jantar no restaurante no fim do mundo, descobrir que voar é apenas ter jeito para nos atirarmos para o chão e falharmos o alvo, tudo isto na companhia do nosso melhor amigo, o seu primo, a outra sobrevivente humana da Terra e o robot mais deprimido do Universo.

Sinceramente já não me lembro como cheguei até esta obra, quem ma indicou ou onde ouvi falar dela pela primeira vez. Creio que foi um daqueles casos que uma coisa puxa a outra, e era um autor associado a outros que eu já lia. Mas quando comecei já não consegui parar, e sinceramente tem tanta substância escondida para lá da comédia superficial que nos vemos muitas vezes a ir buscar referências a este livro na nossa vida quotidiana. Se bem se lembram, ainda quando fiz o meu aniversário do ano passado falei aqui do significado de 42.

Douglas Adams, o autor desta obra (cujo aniversário era um dia antes do meu) escreveu sketches para Monthy Python, episódios do Dr. Who mas foi esta série que lhe granjeou maior fama, sendo que começou por ser um programa de rádio antes de se transformar na série de livros com o mesmo nome. Adams nunca foi um autor muito prolífico, podia mesmo dizer-se que era um pouco preguiçoso e tinha tendência a deixar passar os prazos, para desespero dos seus editores que chegaram a trancá-lo num hotel para terminar o último livro desta série. Era um activista ambiental feroz, que se dedicou a imensas actividades para defesa de espécies em extinção, e defensor dos avanços da tecnologia.

Faleceu em 2001, aos 49 anos, a 11 de Maio, e desde esse ano a 25 de Maio celebra-se o Dia Internacional da Toalha, onde todos os viajantes intergalácticos levam uma toalha consigo para os seus locais de trabalho para celebrar o legado deste escritor, ou participam em eventos organizados um pouco por todo o globo. Podem ver com antecedência aqui.

Mas, acima de tudo, não entrem em pânico!

A towel, it says, is about the most massively useful thing an interstellar hitchhiker can have. Partly it has great practical value. You can wrap it around you for warmth as you bound across the cold moons of Jaglan Beta; you can lie on it on the brilliant marble-sanded beaches of Santraginus V, inhaling the heady sea vapours; you can sleep under it beneath the stars which shine so redly on the desert world of Kakrafoon; use it to sail a miniraft down the slow heavy River Moth; wet it for use in hand-to-hand-combat; wrap it round your head to ward off noxious fumes or avoid the gaze of the Ravenous Bugblatter Beast of Traal (such a mind-bogglingly stupid animal, it assumes that if you can’t see it, it can’t see you — daft as a brush, but very very ravenous); you can wave your towel in emergencies as a distress signal, and of course dry yourself off with it if it still seems to be clean enough.

More importantly, a towel has immense psychological value. For some reason, if a strag (strag: non-hitch hiker) discovers that a hitchhiker has his towel with him, he will automatically assume that he is also in possession of a toothbrush, face flannel, soap, tin of biscuits, flask, compass, map, ball of string, gnat spray, wet weather gear, space suit etc., etc. Furthermore, the strag will then happily lend the hitch hiker any of these or a dozen other items that the hitch hiker might accidentally have “lost.” What the strag will think is that any man who can hitch the length and breadth of the galaxy, rough it, slum it, struggle against terrible odds, win through, and still knows where his towel is, is clearly a man to be reckoned with.

Hence a phrase that has passed into hitchhiking slang, as in “Hey, you sass that hoopy Ford Prefect? There’s a frood who really knows where his towel is.” (Sass: know, be aware of, meet, have sex with; hoopy: really together guy; frood: really amazingly together guy.)

— Douglas Adams, The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy
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42

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42 é, em bom inglês, the Answer to the Ultimate Question of Life, The Universe, and EverythingQue é como quem diz, a resposta para todos os mistérios existentes na vida, no Universo e em Tudo. Pelo menos foi essa a conclusão a que chegou um mega computador chamado Deep Thought após 10 milhões de anos de cálculos intensos.

Para quem nunca leu Douglas Adams, eu aconselho vivamente a sua leitura. O Hitchicker’s Guide to the Galaxy é um livro (ou conjunto de livros) absolutamente deliciosos, cheios de um humor muito britânico e refinado, mas com um conteúdo bastante mais elaborado do que à partida poderia parecer (já falei dele aqui).

Por exemplo, neste pequena paródia sobre o número 42 está subjacente a teoria de Garbage in Garbage out, que os diz que em computação se os dados que introduzimos à partida forem defeitusosos, ou lixo, então os resultados que vamos produzir serão também errados. Ecologista convicto, podemos também encontrar muitas mensagens de protecção da natureza e sobre o modo como o homem é muitas vezes arrogante no seu tratamento. Mas sempre debaixo duma capa de sarcasmo e muito humor. Aconselho muito.

Douglas Adams teria feito 65 anos ontem, dia 11 de Março, mas faleceu de ataque cardiaco em 2001.

Eu faço 42 anos hoje. É uma responsabilidade grande carregar durante 365 dias the meaning of Life, the Universe and Everything, e espero que no minimo isso mude a minha vida e me torne mais sábia. Senão, don’t panic!

Tragam as vossas toalhas

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25 de Maio é o Dia da Toalha, ou seja o dia em que se celebra a obra de Douglas Adams, um escritor de ficção científica essencialmente conhecido pelos seus livros À Boleia pela Galáxia, que deram origem a uma série da BBC e, mais recentemente, a um filme cheio de maravilhosas criaturas.

Por mim já sou fã de ficção científica, mas estes livros (uma trilogia de quatro, como descreve o autor, mas que na realidade acabam por ser 5) são pequenas pérolas de diversão. Incrivelmente bem escritos, com uma dinâmica muito própria e um sentido de humor muito british é como ler Monty Python no espaço. Douglas Adams era não só um óptimo escritor, mas também um grande conhecedor de ciência, e um profundo defensor da biodiversidade. Nos seus livros os animais tinham um papel preponderante (os golfinhos, por exemplo, eram claramente mais inteligentes que os humanos, e a Terra tinha sido construida por ratos como um labirinto para humanos), e na vida real chegou a subir o Kilimanjaro vestido de rinoceronte para recolher fundos contra o tráfico de marfim. Nada mau para alguém que era conhecido como um preguiçoso, que nunca cumpria prazos de entrega de manuscritos, e de quem os editores tinham de andar sempre em cima para conseguir alguma coisa.

Morreu em 2001, com apenas 49 anos. Todos os anos no dia 25 de Maio se celebra o Dia da Toalha  em sua memória. Podem ver aqui o que se fez hoje um pouco por todo o mundo, infelizmente nada no nosso país. Aqui um bom artigo sobre o escritor.

E porquê uma toalha para o celebrar? Porque toda a gente sabe que uma toalha é o artigo mais precioso que qualquer pessoa que ande à boleia pela galáxia precise.

A towel, it says, is about the most massively useful thing an interstellar hitchhiker can have. Partly it has great practical value. You can wrap it around you for warmth as you bound across the cold moons of Jaglan Beta; you can lie on it on the brilliant marble-sanded beaches of Santraginus V, inhaling the heady sea vapours; you can sleep under it beneath the stars which shine so redly on the desert world of Kakrafoon; use it to sail a miniraft down the slow heavy river Moth; wet it for use in hand-to-hand combat; wrap it round your head to ward off noxious fumes or avoid the gaze of the Ravenous Bugblatter Beast of Traal (a mind-boggingly stupid animal, it assumes that if you can’t see it, it can’t see you – daft as a bush, but very ravenous); you can wave your towel in emergencies as a distress signal, and of course dry yourself off with it if it still seems to be clean enough.

More importantly, a towel has immense psychological value. For some reason, if a strag (strag: nonhitchhiker) discovers that a hitchhiker has his towel with him, he will automatically assume that he is also in possession of a toothbrush, washcloth, soap, tin of biscuits, flask, compass, map, ball of string, gnat spray, wet-weather gear, space suit etc., etc. Furthermore, the strag will then happily lend the hitchhiker any of these or a dozen other items that the hitchhiker might accidentally have “lost”. What the strag will think is that any man who can hitch the length and breadth of the Galaxy, rough it, slum it, struggle against terrible odds, win through, and still knows where his towel is is clearly a man to be reckoned with.”

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