Em Ponto Morto

Livros

Ora já vai sendo uma constante por estes lados falar de bloqueio de leitor e afins. No entanto desta vez não foi bem isso que se passou, já que não andei com falta de vontade de ler, mas os dois últimos livros que li (Os Diários do Michael Palin I e II) ocuparam-me um mês inteiro. E isso para quem tem de manter um blog actualizado com aquilo que vai lendo, não me faz parecer muito produtiva.

Mas, na realidade, não me importo muito com essas coisas como devem imaginar, porque na realidade ler tem de ser um prazer porque para trabalho já tenho um das 9h às 5h, e ler serve para descomprimir desse.

Por isso os diários foram excelente companhia no tempo que me levaram a ler, e ainda deu para fazer umas pequenas incursões nalguns contos entretanto.

Mas hoje quando fui olhar para a lista de livros do Netgalley que tenho para ler e dar feedback é que me apercebi da dimensão do estrago. Sim, porque continuei alegremente a visitar o Netgalley e a requisitar os livros que me pareceram interessantes (quem consegue resistir a Salman Rushdie e Jeffrey Eugenides?), mas isso fez com que já tenha 9 livros na minha prateleira à espera de alguma atenção.

Mas como sou uma pessoa que literariamente só faz o que lhe apetece, ainda me questionei seriamente sobre que livro me apetecia ler esta manhã. E se tudo correr bem, descobrirão em breve quando eu vier aqui falar sobre ele, mas aviso já que não foi nem o Salman nem o Jeffrey.

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No autocarro

Leio Por Aqui_Autocarro

O autocarro circula devagar por causa do trânsito e eu pergunto-me se se passa algo de errado com ele. Do lado de fora as pessoas olham com cara de espanto para o flanco que está virado para a estrada e eu fico preocupada se haverá alguma avaria, mas na realidade deve ser apenas algum anúncio mais ousado na lateral.

Na minha mão acompanha-me o Kindle aberto numa página indefinida dum livro que até agora falhou em captar-me a atenção. Às vezes a vida que corre lá fora supera a que se passa aqui dentro, mas olhar para pessoas na rua e imaginar as vidas que possam ter é um grande cliché que já toda a gente usou.

As conversas que me acompanham no autocarro teimam em invadir-me o cérebro e ocupar todo o espaço que devia estar a ser preenchido pelas frases que estão à minha frente. É uma cacofonia de realidades que não me interessam, mas que teimam em entrar-me à força pelos ouvidos, e eu resolvo proteger-me com a música que carrego sempre no meu MP3.

Mas a minha cabeça hoje está cheia de histórias, palavras, cores, danças, histórias minhas que querem ter uma vida e sair cá para fora, e a música apenas as faz voar, dançar, colidir umas com as outras e gerar novas criações num loop constante e vertiginoso.

São 8h da manhã, uma rua tornou-se outra, um largo passou a avenida, semáforos abriram e fecharam e eu cheguei ao meu destino, na mesma página em que comecei a jornada. Estou novamente com bloqueio de leitor.