Um Dia nas Aldeias de Xisto

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A vista da nossa casa na Comareira, sempre acompanhados. 

Apesar de ter passado a maior parte das férias a desfrutar de Lisboa, ainda consegui dar um saltinho à zona centro para ver se apanhava uns sítios catitas para relaxar e descansar. Como falei num post anterior, passámos por Mirando do Corvo para conhecer o Parque Biológico da Serra Lousã, e aproveitámos que já estávamos a meio caminho para dar um salto à dita Serra.

O plano inicial era ir almoçar a um dos nossos restaurantes favoritos, O Burgo, que se situa numas piscinas naturais e tem uma comida mesmo serrana boa, mas tanto eu como o outro Peixe já tivémos estômagos mais fortes, e depois de uns dias na zona centro já não conseguíamos pensar em cozido do Talasnal, nem veado com castanhas, nem nada dessas coisas elaboradas mas pesadas. Assim andámos por sítios mais modestos mas mais leves, e adequados às estradas sinuosas da montanha. E depois de almoço lá partimos na romaria pelas aldeias do xisto da zona.

Começámos pela Aldeia da Pena, só que viémos pelo sítio errado. Se se aproximarem vindos de Góis têm uma bela estrada alcatroada até ao local, e chegam lá sem problemas. Se, como nós, vierem do lado da Lousã, o meu conselho é não vão. A não ser que tenham um jipe ou um carro capaz de aguentar uma forte descida por estrada de terra batida e pedras soltas. Foi a segunda vez nestes poucos dias fora que pusémos o nosso boguinhas nestas andanças, eu acho que ele já anda a contar os dias para se ver livre de nós.

De qualquer modo, lá chegados, a paisagem é belíssima. A aldeia é num pequeno vale, com uma ribeira, rodeada pela paisagem dramática dos penedos de Góis. Muito impactante, consigo imaginar-me a passar umas belas tardes a ler à beira daquela ribeira fresquinha. Demos um pequeno passeio a pé pela aldeia, tirámos umas fotos para ir pondo no Instagram, respirámos fundo e atacámos novamente a subida pela terra batida.

A paisagem cá de cima é ainda mais bonita. Quando chegamos ao cimo da serra vê-se dum lado a pequena aldeia de Aigra Velha, e do outro uma paisagem de montes e vales a perder de vista. Para quem, como eu, tem vertigens, chega a ser demasiado intenso. Continuando a descer a estrada vamos desembocar na aldeia de Aigra Nova, que é o coração destas aldeias renovadas, e onde temos um Museu Etnográfico, uma loja com produtos típicos da região e se podem fazer várias actividades serranas, mediante marcação prévia.

No final viemos parar ao local onde íamos dormir (se bem que há alojamentos em todas estas aldeias, é só escolherem a que vos apela mais), a Comareira. Pelo que percebemos a aldeia tem apenas uma habitante, uma pastora idosa com o seu pequeno rebanho de cabras, 2 cães e 4 gatos. As cabras só vimos passar, mas os restantes animais vieram fazer-nos companhia ao jantar e ao pequeno-almoço do dia seguinte, desejosos de festas e algum petisco que lhes déssemos.

A Comareira, que tivémos a sorte de estar deserta de outros turistas, foi um paraíso de silêncio, tranquilidade e bela paisagem, e gostámos muito de lá estar. Este tipo de tranquilidade, mesmo que apenas por dois dias, faz maravilhas a recarregar as nossas baterias. Eu necessito de estar em contacto com o verde para me sentir de novo revigorada, e apenas preciso de fazer um pequeno (grande) esforço para não me deixar enervar muito com os verdadeiros atentados ambientais que o nosso país é tão pródigo, porque senão seria sempre incapaz de desfrutar fosse o que fosse.

Mas se pensarem num pequeno pedaço de tranquilidade onde se ouvem pássaros ao amanhecer, aconselho com certeza estas aldeias de xisto. Deixo-vos algumas imagens.

Boas viagens e boas leituras!

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Os penedos de Góis vistos da aldeia da Pena
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Aigra Nova
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Aigra Nova
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Um miradouro na Comareira
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A comissão de boas vindas da Comareira
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Sinais de outros tempos
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A leve descida até nossa casa
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O banquinho de leitura à porta
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O nosso pátio, sempre com companhia. 

 

Por Aldeias de Xisto

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Uma rua em Gondramaz

Como já referi em vários posts anteriores, este ano vai ser a oportunidade de ir para fora cá dentro. No fim de semana passado os planos eram passar pelo Porto para ver a exposição de Miró em Serralves que já vos tinha sugerido aqui, e depois rumar até Bragança para passarmos uns dias imersos no Parque Natural de Montesinho, sítio onde estive há alguns anos atrás e onde desejo muito voltar.

Infelizmente uma crise muito grande de coluna há umas semanas deixou-me imprópria para consumo, caminhadas longas, e longos percursos de carro. Aliás, até bem perto do fim de semana nem sabia se conseguiria sair da cama, mas finalmente, com ajuda de muitos analgésicos lá voltei ao mundo da mobilidade e fomos até Penela, para um hotel já nosso conhecido, para uns dias de descanso à beira duma piscina rodeada por rãs verdes e momentos de zen.

No primeiro dia resolvemos ir explorar um bocadinho a região e fomos dar a uma aldeia de xisto próximo de Miranda do Corvo, mesmo no cimo duma encosta da Serra da Lousã, chamada Gondramaz. Muito diferente das aldeias que eu conheço na zona, principalmente pela cor do xisto que aqui é mais avermelhado, é uma aldeia encantadora, super arranjadinha, cheia de percursos pedestres e mesmo um centro de BTT. E, apesar de muito pequenina, tem dois turismos rurais com um ar muito interessante.

Mas nós fomos até lá para eu apanhar um bocadinho de sol e ar de montanha depois de tanto tempo fechada em casa, e ao mesmo tempo para almoçarmos num sítio catita, porque andamos sempre à cata de sítios onde se coma bem com boa vista. No final da aldeia temos o Pátio do Xisto, restaurante pequeno e com ementa exclusivamente feita de pratos do dia. É preciso ir de mente aberta para este restaurante. A senhora tem o que eu chamaria de “simpatia serrana”. Eu, que passei os verões na Serra do Açor, mesmo ali ao lado, estou perfeitamente habituada a ouvir comentários como: não queria a tua saia nem dada para ir ao mato, de pessoas da minha família, por isso os modos directos da dona do restaurante não nos chocaram minimamente, mas pude ver pelos comentários do trip advisor que algumas pessoas ficaram mais melindradas.

A chanfana foi das melhores que já comi num restaurante e sinceramente fez-me lembrar a da minha avó. A única diferença é que a caçoila não era de barro preto mas vermelho. Mas sinceramente quando me lembro ainda me cresce água na boca. A sopa era normal, e as sobremesas também não estavam mal. Com tanta medicação apenas bebi uma águinha, mas ouvi dizer que os vinhos eram bons. Sinceramente, só aconselho a quem esteja alojado na aldeia, porque a estrada sinuosa precisa dos sentidos bem alerta. E no final a conta foi muito simpática.

O resto da tarde foi passada à beira da piscina a aproveitar o sol que fez o fim de semana passado envergonhar este. Não consegui não ficar enervada por ver 2 pessoas a tarde toda a guardar 9 cadeiras de piscina, não deixando mais nenhuma vaga para as pessoas que chegavam, e para pessoas fantasma que nunca chegaram a aparecer. Sinceramente não percebo a fobia que os portugueses têm a ficar uns minutos sem cadeiras. Sempre nestas situações, ou em centros comerciais cheios, acumulam cadeiras como se fosse um bem precioso que fosse acabar a qualquer momento e que toda a humanidade dependesse disso, e eles, machos e fêmeas alfa e muito mais espertos que os outros mortais, sobrevivessem rodeados de cadeiras vazias.

Enfim, normalmente ter-me-ia sentado no chão sem problema, mas as costas não mo permitiram. Felizmente apanhamos um casal a ir embora quando saímos da piscina e pudemos sentar-nos tranquilamente sem ter de perturbar os acumuladores e tudo terminou em bem.

O resto do fim de semana foi passado em serena tranquilidade Penelense, entre piscina com relas e D. Sesnando, como quem revê velhos amigos. É sempre um prazer voltar e ser tão bem recebido.

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Mesmo à entrada da aldeia de Gondramaz está esta casa de sonho, com um poço e tudo. 
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As casas do largo
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Um pouco por toda a aldeia podemos encontrar estas esculturas nas paredes das casas.
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A vista do Pátio do Xisto
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Chanfana… hum…
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A piscina das relas no Duecitânia…