50 Sombras de Christian, ou o dilema da traça

like_a_moth_to_a_flame_by_deskridge-d9r0r35
Foto daqui

Ou porque é que eu faço estas coisas a mim própria.

Não saber o que nos apetece ler às vezes tem efeitos nefastos. No meu caso, como uma traça fascinada pelas chamas, eu acabo sempre por ir parar à literatura de cordel. É como catnip.

Desta vez andava a investigar uns sites manhosos que têm livros online quando me deparei com o 50 shades versão Christian. E pensei que era mau demais para ser verdade e tinha de dar uma espreitadela. E hoje, pouco mais de 24h depois pergunto-me o inevitável. Porquê?

Neste livro a autora volta a contar-nos toda a história do 50 Shades of Grey, mas desta vez toda na perspectiva do Mr. Grey himself. Os diálogos, as trocas de emails, as situações, tudo está exactamente na mesma, é apenas a perspectiva que muda. Os anglo-saxónicos têm uma expressão para isto, se estou correcta chama-se milking the cash cow.

Eu sabia à priori que seria um mau livro. No original até às cenas de sexo são mal escritas, sensaboronas e completamente afastadas da realidade BDSM que tentam retratar. Mas mesmo assim tive que ler. E devo dizer que não fiquei desiludida. Cumpriu todos os objectivos. Era um mau livro, cheio de diálogos forçados, situações demasiado irrealistas para serem verosímeis e que passei mais tempo a revirar os olhos (coisa que aparentemente enervaria o nosso protagonista) do que realmente a divertir-me.

Resta a consolação de saber que estou um livro mais perto do objectivo do Goodreads deste ano e esperar que o meu cérebro me permita regressar a livros de qualidade. E fica a questão no ar, será que nos dias de hoje ainda se escrevem livros eróticos de qualidade, ou serão todos como este, romances do Arlequim disfarçados? Se alguém souber, que me diga.

Goodreads Review

Anúncios

50 Sombras de Nada

50-shades-grey2000x1200rewind

Domingo é muitas vezes o dia muito pouco glamorouso de fazer coisas necessárias como passar a ferro. Ontem não foi excepção. Normalmente alio a isso pôr em dia as minhas séries de eleição, que já são poucas, ou um pouco de televisão pop para entreter. Ontem vi a uns episódios antigos da Ellen, onde falavam do grande sucesso que estava a ter o 50 Shades of Grey. E pensei, “porque não? Já que estou em modo dona de casa, mais vale fazê-lo como deve de ser!

E pronto, resolvi ver o filme. Não estava à espera de nada de bom, uma vez que já não tinha gostado dos livros. Mas por alguma razão que eu própria desconheço, li os 3, de enfiada, apesar de os ter achado uma bela xaropada, falando bem e depressa. Mas é o chamado efeito train wreck (inventado por mim, óbvio), aquela coisa que apesar de saber que é má não consigo deixar de ler. A quantidade de trilogias que já li à conta disso é incrível.

Nesse aspecto o filme não desiludiu. Nada mesmo. Eu ri-me bastante com todo aquele pseudo-erotismo de gente a tentar retratar um mundo do qual não percebe nada e onde um morder de lábios é o supra sumo da sensualidade. E os actores escolhidos também não ajudaram. A Dakota é desenxabida, e o outro senhor não é minimamente convincente ou sensual (no meu entendimento, como diria a minha mãe).

Gostei da música, achei bem escolhida, e acho que foi isso. A parte boa é que sou mais resistente nos filmes e não me sinto minimamente com vontade de ver os restantes. Literatura erótica gosto muito e em breve hei-de fazer um artigo sobre os livros que me entusiasmaram.

fifty-shades-of-grey-jamie-dornan-dakota-johnson-photos