Livros que Recomendo – Oryx and Crake

oryx and crake

Margaret Atwood é uma escritora que se dedica principalmente a Ficção Especulativa (diferente de Ficção Cientifica, mas varia o significado consoante quem está a discutir sobre o assunto), e defende que a maioria das coisas sobre as quais escreve já aconteceram no passado ou estão a acontecer correntemente. A sua obra mais falada, até por causa da série televisiva, é The Handmaid’s Tale, mas não é sobre ela que venho falar hoje.

Hoje venho falar-vos no livro que realmente me entusiasmou e apelou ao meu coração de bióloga, Oryx and Crake. Este é o início duma trilogia, a MaddAdam Trilogy, que se passa num futuro distópico mas não muito distante, onde a humanidade desapareceu como resultado de um evento desconhecido e a única pessoa que sobre é Snowman, Jimmy de seu nome, que sobrevive neste novo mundo com a ajuda duns humanoides intitulados Children of Crake, que são uns seres de pele azul, dóceis e não violentos, que acreditam em Crake como se de um Deus se tratasse. Estes seres são perfeitos geneticamente, não têm doenças, são desprovidos de maldade e violência, mas também de qualquer sentimento artístico, aparte a habilidade de cantar.

Jimmy, aka Snowman, vai relembrando a sua infância e juventude e é assim que nós ficamos a saber o que se passou para chegarmos àquela situação.

Este livro confronta-nos com coisas muito reais que já se passam hoje em dia, como a manipulação genética e as suas consequências, os limites da ciência (ou falta deles), mas também as desigualdades sociais, as empresas que são donas das alterações genéticas e controlam o que os comuns mortais podem usar, desde a agricultura a medicina, etc. Para qualquer pessoa minimamente atenta às notícias diárias (talvez as estrangeiras, que os nossos telejornais pouco mais falam do que de futebol, do calor do verão e do frio do inverno, e outras insignificâncias destinadas a manter o cidadão comum adormecido e galvanizado atrás de causas que não interessam), não é nenhuma surpresa as linhas que escrevi acima. Sabe-se da hegemonia da Monsanto e da sua tentativa de controlar as sementes usadas na agricultura mundial, gigante esse que foi recentemente adquirido pela Bayer, outro colosso da agroquimica. Sabem-se de experiências de ética duvidosa, por isso nada que se passa no livro surpreende, mas assusta.

O começo é lento e demoramos algum tempo a adaptar-nos ao ambiente e às personagens. Mas quando a história começa a desenvolver nunca mais pára, e é difícil interromper a leitura, de tal modo queremos sempre saber o que vem a seguir. O livro termina num cliffhanger (ainda não temos um termo em português que descreva tão bem um final inacabado como este), e temos imensa vontade de pegar no próximo volume, The Year of the Flood, e foi exactamente isso que fiz.

Recomendo a todos os amantes de livros diferentes, futuros distópicos mas não inverossímeis, histórias coesas e bem contadas.

Boas Leituras!

Goodreads Review

They understood about dreaming, he knew that: they dreamed themselves. Crake hadn’t been able to eliminate dreams. We’re hard-wired for dreams, he’d said. He couldn’t get rid of the singing either. We’re hard-wired for singing. Singing and dreams are entwined.

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