The Watchmen

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Depois de ter terminado toda a saga do Sandman, fiquei um bocadinho sem saber o que ler em termos de BD. Claro que tenho muita coisa cá em casa ainda à espera de ser lida, e que entretanto já se compraram mais alguns, mas a mesma amiga que me emprestou os do Neil Gaiman percebeu a minha sensação de perda e imediatamente a colmatou emprestando-me este volume e garantindo-me que eu iria gostar.

Tendo acabado de sair dum mundo tão fantástico e onírico, o choque que senti com as primeiras páginas deste livro não foi pequeno. Ambos são negros, mas Neil Gaiman é mais negro gótico, e este é mesmo negro desespero. Distopia, como seria o mundo se uma série de premissas não se tivessem verificado. Não me senti preparada para uma transição tão abrupta, e deixei-o a marinar um bocadinho na minha estante.

Até que finalmente nestas férias achei que estava na altura de o agarrar de frente, e enfrentar este mundo de super heróis decadentes, tão decadentes e proscritos que a própria BD que se vende aqui é toda sobre piratas, porque ninguém quer ler sobre super heróis. Aliás, de preferência, ninguém quer saber que eles ainda existem, tirando um que ainda pode ter alguma utilidade desde que bem controlado pelo governo, e isolado numa redoma da restante população.

Este livro é a simbiose perfeita entre desenho e argumento. Não consigo imaginar esta história contada de outro modo que não este, e só as múltiplas camadas atingidas com o texto e o desenho nos conseguem transmitir todos os significados que o autor nos queria fazer chegar. Desenganem-se aqueles que estão convencidos que BD é coisa de crianças, ou que o universo dos super heróis é tão linear e insípido como Hollywood nos quer fazer crer.

Estes super heróis são pessoas com algumas características que lhes permitem serem diferentes de nós e lutarem contra o crime de algum modo, no entanto as próprias máscaras que os ajudam a proteger a identidade a partir de certa altura denunciam-nos e cobrem-nos de ridículo. A certo ponto um deles, depois duma cena mais violenta, pergunta contra quem é que eles estão a proteger o público, se dos vilões se dos “bons”. Estes “bons” são pessoas carregadas de defeitos, neuroses, dificuldades sociais e de adaptação e que no momento em que história começa estão não só proibidos de exercer, como começam a ser atacados por uma força desconhecida e mortos um a um. É este o catalisador de toda a série de acontecimentos que se seguem, embebidos numa história mundial e de guerra fria muito complexa, e com imensos sub textos paralelos que eu tenho sérias dúvidas que tenha conseguido abarcar na totalidade.

Aconselho a todos os fãs de BD, mas principalmente aos que não se deixam intimidar por uma história longa, complexa, que é preciso ler com uma atenção que normalmente não associamos a este género de livro. Vão ver que não se vão arrepender, este é um verdadeiro clássico do género.

Goodreads Review

Boas Leituras!

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