A Maldição de Hill House

hauting of hill house

Depois de ter lido We Have Always Lived in the Castle desta autora fiquei com o bichinho de ler mais livros. O escolhido para ser o seguinte era o também muito aclamado The Lottery, mas entretanto li um artigo onde escritores que eu prezo (Neil Gaiman e Dan Simmons) diziam que esta Maldição de Hill House era dos livros mais assustadores que já tinham lido, e como o tinha no meu kindle decidi imediatamente que seria a minha leitura seguinte.

Eu tenho particular aversão a filmes de terror, na realidade nem sequer consigo ver nenhum, mas com livros isso não acontece, leio qualquer género, e o pior que pode acontecer é incorporar a história do livro nos meus sonhos, mas isso sinceramente acontece com qualquer livro (passei noites sem fim a bordo dum navio quando li O Terror). Foi por isso que abracei corajosamente a leitura desta mansão assombrada sem olhar para trás.

O começo é bastante interessante, logo a frase de abertura determina qual vai ser o rumo da história. A personagem que nos acompanha, Eleanor Vance, é deliciosa e remete-nos imediatamente para Merricat Blackwood, a personagem principal de “Sempre Vivemos no Castelo”, e de algum modo estranho eu relacionei-me bastante com ela e com os seus modos bizarros. Acho que é este modo peculiar de ter uma vida paralela a decorrer dentro da cabeça para onde nos retiramos quando o que se passa cá fora nos agride ou simplesmente nos aborrece. No entanto, descansem os amigos (e marido) que lêem este blog, estou a anos luz de qualquer uma das duas personagens (acho eu…)

Mas esta “casa dos espíritos” é na realidade um livro bastante interessante porque nada nos é dito, nada nos é mostrado, tudo é insinuado e a linha que separa a ficção da realidade é bastante ténue. De tudo o que está a acontecer, o que é que está realmente a acontecer, e o que é que pertence apenas ao domínio da imaginação de uma ou de todas as personagens?

Shirley jackson é exímia a descrever pessoas perturbadas, complicadas, mas cheias de doçura e com as quais criamos imensa empatia. Qualquer um dos habitantes iniciais da casa são nossos amigos e nós preocupamo-nos genuinamente com o destino deles.

Eleanor Vance é das personagens mais deliciosas com que me cruzei este ano, e eu aconselho este livro a todos os que não se impressionam facilmente e gostam de ler histórias que os deixam a questionar o que se passa. Se lerem a edição da Penguin, como eu, aconselho a lerem a introdução no fim, sob pena de ficarem a conhecer toda a história, incluindo o final, antes de entrarem no próprio livro. Nunca vi tamanho spoiler ser chamado de introdução, e felizmente parei a tempo.

O livro teve também duas adaptações para filme, uma logo em 1963, e outra em 1999. A primeira não vi mas é considerado por muitos um filme de culto e um dos melhores filmes de terror de todos os tempos. A segunda é ela própria uma sessão de terror pelo modo infantil como assassinou a história original. Vejam por vossa conta e risco.

Goodreads Review

Boas leituras!

No live organism can continue for long to exist sanely under conditions of absolute reality; even larks and katydids are supposed, by some, to dream.

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One thought on “A Maldição de Hill House

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