Caminho Imperfeito

Caminho Imperfeito

Há alguns anos atrás comprei um livro de José Luís Peixoto na feira do livro. Era Uma Casa na Escuridão, e aproveitei que ele estava lá numa sessão de autógrafos para me pôr na fila à espera de uma assinatura no meu exemplar. Assim aconteceu, uma assinatura, um beijinho, um sorriso e umas palavras do autor que me disse: sabes, este livro é um bocadinho negro, pesado, mas eu costumo dizer que não é mais pesado que o Telejornal. Eu agradeci, e disse que no ano seguinte logo diria o que tinha achado, coisa que nunca aconteceu. Mas vim-me embora a pensar no que o teria levado a dizer isso. Teria eu um ar frágil, ou inocente? Deveria ter respondido que já levava um livro de Sade no saco?  Quando li o livro percebi o que ele me quis dizer, mas não deixei de achar curioso.

Vem isto a propósito de José Luís Peixoto dizer neste livro que nós leitores fazemos assunções acerca dos autores que lemos, principalmente se escrevem não ficção, e ficarmos desiludidos quando não se comportam na vida real de acordo com as expectativas que criamos deles. É justo. Sei do José Luís que é fã de Moonspell, como eu, frequentou o Gingão na mesma altura que eu (descobri-o agora, ao ler este livro) e uma das vezes que esteve na Tailândia, eu também lá estava.

Mas, acima de tudo, tem uma escrita bonita, não imediata, que me obriga a pensar, e é por isso que sou fã dele. E foi isso que aconteceu mais uma vez, com um livro que tanto nos transporta à Tailândia, a Las Vegas ou às memórias do escritor. Que nos põe a reflectir sobre o impacto do turismo na representação cultural dum povo, sobre os refugiados birmaneses ou sobre a diversidade de experiências pessoais. Que me fez reflectir que necessariamente a minha Tailândia é diferente da dele, e diferente da de todos os outros viajantes que connosco se cruzam em cada momento, e isso é válido para qualquer país que se visite.

Gostei do livro, recomendo a fãs do escritor, de literatura de viagens e da Tailândia.

E meu caro José Luís, se algum dia nos cruzarmos, eu quebro a minha regra pessoal de nunca me meter com gente conhecida, porque aceito o desafio da tatuagem!

Goodreads Review

Boas leituras!

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