Dia do Pai

Ludo

Hoje é dia do pai e simultaneamente faz uma semana que o meu pai faleceu, no dia do meu aniversário. Quando escolhi o “poema de segunda” para os meus 43 anos, e subsequente mensagem (relacionada com Douglas Adams), estava longe de antecipar exactamente quão adequados iriam ser, mas o universo tem destas ironias.

No entanto a intenção deste post não é ser triste, mas sim uma celebração de vida e de alegria. O meu pai, como já tive oportunidade de dizer a várias pessoas, foi a pessoa mais alegre que eu conheci. No trabalho, com o seu amigo e colega, por vezes faziam as outras colegas rir tanto que tinham de fugir para a casa de banho.

Quando eu era miúda a nossa casa era o ponto de encontro de todos os adolescentes da zona. Toda a gente era sócia dum clube de vídeo e alugavam filmes à vez que se viam sempre na minha sala. Quando os sofás e cadeiras não chegavam, o chão chegava sempre. Por vezes os meus amigos brincavam mais com o meu pai do que comigo e isso deixava-me dividida entre os ciúmes e o orgulho.

Em 1991 a nossa vida mudou quando o meu pai ficou paralisado do lado direito e dependente de nós. Mas isso não abalou a sua boa disposição e continuou a ser o pilar de alegria da família, a motivar-nos e animar-nos. Para terem uma ideia, conto-vos um episódio em que em Alcoitão, onde o meu pai estava a fazer fisioterapia e não falava nem andava, ele entrou num elevador com a minha mãe e um senhor que tinha dificuldades de locomoção e fala. E o meu pai virou-se para a minha mãe a rir discretamente das dificuldades do outro doente… que estava bem mais saudável que ele.

Mesmo no meio de todas as dificuldades, o bom humor sempre foi a cola que nos manteve unidos e este é o ensinamento que quero levar comigo. Nem toda a gente à nossa volta compreendia o nosso modo de ser peculiar, mas é assim que se exorcisam demónios e gostava de ter apenas uma pequena percentagem do bom humor do meu pai. Menos queixas e mais boa disposição é o ensinamento que me vai ficar para sempre, e que quero partilhar aqui.

Ficam as boas memórias, como a da foto, um jogo que fez as delicias de todos nós lá em casa e da vizinhança em redor por muitos serões.

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4 thoughts on “Dia do Pai

  1. Essa imagem levou-me numa viagem a um tempo muito feliz da minha vida!!! Passei muitas tardes em volta de um tabuleiro assim… com o meu super-herói, um herói com imensos super poderes, mas daqueles que nem precisa de capa. Curiosamente a boa disposição também era um dos seus poderes preferidos na hora de salvar alguém.
    Revejo-me muito nesse texto…

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