De Novo em Hyperion

Endymion

Há mais ou menos um ano atrás eu li os dois primeiros volumes daquilo que considero os melhores livros de ficção científica com que me cruzei até hoje. Claro que a minha opinião vale o que vale, porque como leitora multigénero que sou, não me cruzei com uma infinidade de livros de sci-fi, no entanto acho que conheço o suficiente para perceber quando estou diante dum belíssimo exemplar.

Hyperion, e a sua sequela The Fall of Hyperion, são espécimes muitíssimo bem escritos, recheados de ideias bem fundamentadas e que nos obrigam a pensar. Mas o facto de terem sido livros tão bons levaram-me a ter alguma reticência em pegar no resto da história, Endymion e The Rise of Endymion, com medo de me sentir de algum modo defraudada.

Mas tendo começado 2018 a um bom ritmo e já com 9 livros lidos, achei que podia dispender umas semanas a saborear o resto da história com calma.

Este primeiro volume, Endymion, começa 274 anos depois dos acontecimentos de Fall of Hyperion, que terminou com a queda da Hegemonia e do mundo como o conhecíamos naquela altura. As viagens interestelares são agora uma sombra do passado, apenas possíveis se dispendermos muitos anos de dívida temporal, e quem governa agora todo o Universo conhecido é a Igreja, através do seu braço armado da Pax, porque são possuidores do parasita cruciforme que confere a capacidade de ressurreição. No meio de tudo isto Aenea está prestes a sair das Time Tombs onde entrou há 250 anos, e é temida por uns e esperada por outros como uma possível futura messias. Raul Endymion é contratado por um personagem nosso conhecido para a acompanhar, e ainda se junta a esta dupla A. Betik, um andróide de pele azul.

Juntos vão embarcar numa aventura por muitos mundos, com muita intriga política e muita especulação cientifica à mistura. Este livro teve alguns momentos mais parados, em que foi preciso alguma militância para continuar a seguir a história e não sucumbir à tentação de pôr o livro de lado, ou intercalar com uma leitura mais leve. Mas à medida que o final se vai aproximando, todas as peças do puzzle complexo se vão encaixando e as coisas começam a fazer sentido, por vezes dum modo espectacular. Há personagens que conseguem surpreender-nos pelas suas atitudes, e outras que mesmo que não nos surpreendam fazem o que é suposto dum modo extremamente competente.

Acaba a meio da história, já que esta segunda prestação vem dividida em duas, e comecei já avidamente a ler o segundo volume, que como seria esperado não retoma no ponto exacto em que este parou.

Gostei, recomendo a amantes do género porque continuamos a abordar temas muito pertinentes à espécie humana, como ecologia, ciência, politica, religião. Porque é que o homem se acha sempre superior a todas as outras espécies e sente que tem autoridade para alterar todos os ecossistemas em que toca, terrestres ou extraterrestres? E para quem pensa que isto está no domínio da ficção cientifica, pesquise terraforming mars ou venus e perceba que a ideia de alterar todo um planeta que existe na sua perfeição há muitos milhões de anos só para ser habitável por uma especiezinha que somos nós é uma ideia que já existe há muitos anos em alguma comunidade cientifica.

Recomendo também a todos os que gostam simplesmente de um bom livro com uma boa história.

Boas Leituras!

Goodreads Review

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