Os Jardins de Luz

Jardins de Luz

Nada como começar o novo ano a ler um livro perdido na estante, que estava sem atenção há pelo menos uma dezena de anos. Este tinha-o trazido quando me mudei de casa dos meus pais, em 2008, e já andava na lista TBR muito antes disso. O autor parecia interessante, o tema também, mas por alguma razão nunca lhe pegava. Este ano decidi olhar seriamente para as minhas estantes e dar atenção aos filhos perdidos, para eventualmente lhes dar um rumo e criar espaço, e este foi o segundo escolhido. Isto vem também no seguimento do desafio que coloquei a mim própria de não comprar livro nenhum este ano, por isso faz todo o sentido.

Amin Maalouf é um escritor de origem libanesa a viver em França desde 1976 e esta mistura transparece na sua escrita. Este livro conta-nos a história de Mani, um jovem parto, criado no seio duma seita ascetica dois séculos depois de Cristo, numa cidade que hoje já não existe mas seria próxima da actual Bagdad. Mani foi um profeta no seu tempo e criou uma nova religião que foi grande e poderosa, mas que abalou tanto os poderes instituidos na altura, que foi severamente atacada até hoje dela não restar mais que uma leve memória e uma palavra com má conotação, maniqueísmo.

Mas na realidade a religião que Mani originou apenas pregava a unidade entre todas as outras, e que cada homem tinha dentro de si simultaneamente luz e sombras. E talvez por não condenar abertamente ninguém, tornou-se inimigo de todos.

O livro é interessante, de leitura fácil e rica, as imagens com que o autor nos presenteia são de grande beleza. O mais interessante é imaginarmos a zona do Médio Oriente como rica e próspera não só em fortuna e riquezas, mas também culturalmente. O império romano e o persa rivalizavam em poder, riqueza e desenvolvimento, sendo que este último era consideravelmente mais estável porque não estava constantemente assolado por disputas de poder como o império romano em declínio.

No entanto sinto que faltou algo a esta descrição de Mani. Talvez alguma força nas suas convicções, algum ardor na sua defesa, ou alguma profundidade na exploração da sua filosofia de base. (…. )

Recomendo a todos os que gostam de uma boa história contada por um autor diferente, não anglo-saxónico e que têm interesse em história e filosofia.

Por fim, outra coisa que me custou seriamente foi ler um livro de capa dura. Seriamente habituada ao meu Kindle, andar nos transportes públicos e precisar das duas mãos para ler já é uma coisa que não dá jeito nenhum. Almoçar sozinha no emprego e precisar das duas mãos para ler era uma coisa que não me acontecia também há muito tempo, por isso senti muita falta da praticalidade do meu fiel amigo. De tal modo que vou ter de fazer uma pausa nos livros físicos por uns dias.

Goodreads Review

Boas Leituras!

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One thought on “Os Jardins de Luz

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