O Segundo Diário de Michael Palin

Michael Palin Diaries 2

Depois de acabar de ler o primeiro diário do Michael Palin, inexplicavelmente, fiquei com o bichinho tive de passar imediatamente para o segundo. Ajudou o facto de ter descoberto que já o tinha no Kindle. Sim, o meu Kindle é como uma biblioteca gigante duma acumuladora desordenada. Vou pondo para lá os livros que acho que me apetece ler, categorizados em pastas temáticas, e muitas vezes esqueço-me alegremente deles. O que me faz ter surpresas agradáveis muitos meses (ou anos) depois, como foi agora o caso.

Apesar de ter um ritmo menos frenético que o anterior, mais uma vez o senhor Palin é uma fonte de conhecimento interessante, porque através dele vamos observando o desenrolar dos anos 80 em Inglaterra. Ele dá-nos relatos primeiro sobre a guerra das Falklands, e como isso ajudou a consolidar a posição de Margaret Tatcher no poder, depois as greves dos mineiros que vieram abalar toda a nação, mas também vemos pelos seus olhos o inicio do hooliganismo no futebol inglês (quando começa a ser cada vez mais inseguro ir aos jogos do Sheffield Wednesday com os seus dois filhos pré-adolescentes até à tragédia de Heisel Park em 85).

Por outro lado, os seus filhos estão a tornar-se adolescentes, que bebem e fumam e levam amigos para casa que o vão espreitar na cozinha, e vemos como a sua vida familiar seria na realidade tão parecida com a nossa. Apesar de ganhar confortavelmente com os filmes que vai fazendo, continua a conduzir pacatamente o mesmo Mini da década anterior até pelo menos meio da década de oitenta, e quando o troca é sempre por utilitários, longe da ostentação dos Bentleys de John Cleese. Ao mesmo tempo, perto do final dos 80’s, a tragédia abate-se sobre a sua família e a sua reacção é duma certa compostura britânica, tão diferente do nosso sangue latino.

Mas o que eu acho mais interessante é que ele fez muitos filmes e programas televisivos que foram bastante aclamados na altura, alguns ganharam mesmo prémios, e que hoje em dia eu nunca ouvi falar. Eu pensava que para além dos Monty Python, Um Peixe Chamado Vanda e depois os seus livros e programas de viagem ele não tinha feito mais nada de relevo, e isso não é nada assim. Das duas uma, ou eu sou muito desatenta (na realidade era uma criança nesta altura, mas o certo é que Monty Python é anterior e conheço lindamente), ou os projectos que ele protagonizou/escreveu, não aguentaram o teste do tempo.

Entretanto já colmatei algumas dessas falhas e vi alguns episódios de Ripping Yarns no Youtube, incluindo um do qual ele se orgulha particularmente, Roger of the Raj. Gostei, tem um toque de humor inglês bastante refinado, mas falta alguma da loucura Pythoniana.

Mais uma vez recomendo o livro a fãs de biografias e dos Monty Python.

Goodreads Review.

2 thoughts on “O Segundo Diário de Michael Palin

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