O Diário de Michael Palin

Michael Palin

À partida podia parecer que ler um diário pessoal que dura mais de 600 páginas e cobre uma década (de 1969 a 1979) seria tarefa monótona e titânica. Mas quando essa pessoa é o Michael Palin, responsável por alguma da melhor comédia do século XX, na realidade tornou-se um genuíno prazer.

Michael Palin começou a escrever um diário em 1969 como forma de documentar o que se passava na sua vida e de certa forma praticar os seus dotes de escrita, e não parou até hoje. Agora, em vez de escrever uma biografia, editou os seus diários (tem centenas de cadernos escritos à mão) em três volumes, que vão desde 1969 até 1998. Este volume fala da primeira década. Palin é um homem simples, que está nesta altura a tentar construir uma carreira a fazer aquilo que mais gosta, parvoíces, ao mesmo tempo que constrói um casamento, uma família com 3 filhos pequenos, e assiste ao progressivo degradar do seu pai, vítima de Parkinson.

A isto tudo junta-se a ascensão meteórica do fenómeno Python, com a respectiva luta de egos, o posterior desmembramento, o tentar começar uma carreira a solo, e todo o enquadramento sócio-cultural dos anos 70. No fundo, um documento histórico por quem viveu esses anos por dentro, e bastante bem escrito. Michael é não só um comediante, mas também uma pessoa bastante atenta ao que o rodeia, interessado em história e politica, por isso vai também deixando notas no seu diário sobre o que está a acontecer no mundo, em Inglaterra, bem como sobre os livros que está a ler. É desta maneira que podemos acompanhar o caso Watergate, um dos primeiros referendos sobre a permanência do UK na União Europeia, e as sucessivas greves que assolaram a Inglaterra nos anos 70. Na realidade, lemos pérolas como o facto de em 1969 ele estar preocupado que o novo governo venha restaurar a pena de morte no UK, que apenas recentemente tinha sido abolida (1965). Parece incrível que tenha sido abolida apenas 10 anos antes de eu própria ter nascido, mas o mundo é bem menos civilizado do que aquilo que gostamos de acreditar.

Por outro lado podemos também assistir em primeira mão à nem sempre fácil relação de trabalho entre todos os Python, para a qual terão contribuído as diferentes personalidades e modos de lidar com a fama, mas também o problema de alcoolismo de Graham Chapman. No entanto, Palin é sempre um verdadeiro cavalheiro inglês e a maioria das situações podemos apenas inferir já que ele jamais é descortês a referir-se aos seus colegas. Percebemos no entanto a grande amizade que o une a Terry Jones, Terry Gilliam, e mesmo com John Cleese consegue comunicar cordial e  frequentemente, fazendo muitas vezes o papel de mediador entre todos.

Foi também muito interessante poder ler a descrição das filmagens de mitos como o Holy Grail e o Life of Brian, e mesmo o processo criativo que levou até á sua existência. Ficamos com  a sensação que apesar de algumas dificuldades pessoais, como a morte do pai, foram bons tempos, de descoberta do seu lugar no mundo, formação de amizades que ficaram para a vida com nomes que reconhecemos hoje instantaneamente como sendo nomes grandes do entretenimento.

Fiquei com imensa vontade de ler os restantes diários  e rever tudo o que tenho cá em casa dos Monty Python. Entretanto já tenho visto alguns sketches no youtube para matar saudades, deixo-vos aqui um clássico, que é também dos meus favoritos.

Silly Olympics

Boas Leituras!

Goodreads Review

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2 thoughts on “O Diário de Michael Palin

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