7 dicas para navegar no Netgalley

Print

Como percebem pelas reviews que faço aqui no Peixinho, muitos dos livros que leio vêm do Netgalley. Como vos disse nesse artigo, o site tem imenso potencial para nos fornecer livros interessantes de autores que gostamos, novos autores de géneros que nos interessam e entretenimento em geral.

No entanto, para quem está a começar pode ser muita informação, e receber muitas respostas negativas dos editores pode desmoralizar até os mais persistentes. Eu bem sei que houve alturas em que me apeteceu mandar emails de volta com algumas respostas menos simpáticas (Bill Bryson e Neil Gaiman ainda me doem no coração). Mas há pequenas coisas que podemos fazer para melhorar as nossas possibilidades de nos aprovarem para os livros que queremos mesmo. Este artigo recente da Curly fez-me compilar aqui um pequeno guia de dicas para navegar no Netgalley:

1.  Investir na Bio. Tal como um CV , os editores vão olhar para a informação que está na nossa Bio para saber se vale a pena dar-nos a ler o seu livro ou não. A minha primeira versão era muito simplista e pouco mais elaborada do que “eu gosto muito de ler”, por isso as rejeições eram frequentes. Especialmente porque eu ainda não tinha nenhum historial no site. Neste momento tenho um texto simples e resumido com 130 palavras, mas que diz claramente onde publico as minhas criticas (com links) e quais os meus interesses em geral, e os efeitos nas aprovações foram muito positivos.

2. Ter uma boa percentagem de feedback (review de livro pedido). O site aconselha 80%, eu neste momento tenho 87%. Quando comecei todos os livros me pareciam interessantes e oportunidades a não perder, por isso acabei por pedir imensos sem terminar nenhum. Isso fez com que a minha percentagem de feedback fosse zero por muito tempo, e todos os livros que pedia eram-me recusados. Tive de ler e fazer criticas sem intervalos durante mais de 2 meses até um livro me ser novamente aprovado. Neste momento sou mais racional e tento não pedir livros às editoras se ainda não revi os que me foram atribuídos o mês passado.

3. Não é preciso ter um blog para ter acesso ao Netgalley. Podemos apenas ser os chamados Consumer Reviewer (I review on sites like Goodreads and Amazon) e tendo em conta que o meu blog é em português eu ainda hoje me mantenho nessa categoria.

4. Não se prendam muito com erros gramaticais e de formatação do livro. São ARC’s (advanced reading copy) o que significa que esses pormenores ainda não foram finalizados para publicação. Foquem-se essencialmente no conteúdo. Se bem que sinceramente apenas apanhei 2 ou 3 exemplos em cada livro, nada de chocante.

5. Ser honestos no feedback. Eu nunca digo que gostei dum livro se não gostei. No entanto esforço-me por ser cortês e delicada, mesmo quando estou a dar apenas 1 ou duas estrelas. Por vezes é o próprio autor que fornece as cópias, e estão com certeza muitas horas de trabalho e dedicação investidas por trás daquele livro, convêm levar isso em conta. Da mesma forma é de bom tom colocar na review que o livro foi fornecido gratuitamente pela Netgalley (nalguns países é mesmo um requisito legal).

6. Fazer o download do livro para o kindle assim que o pedido for aprovado. Os livros têm uma archiving date e depois dessa data já não podem ser descarregados, no entanto ainda se podem ler se já estiverem no dispositivo e pode à mesma fazer-se a critica para o editor.

7. Por último aproveitem ao máximo as potencialidades e as leituras que o site vos pode proporcionar. E tenham algum cuidado em ler a descrição do livro antes. Eu tenho tido excelentes surpresas e coisas boas, é só saber evitar o que pressentimos que não nos vai agradar. Mas confesso que tenho uns quatro livros que nunca me consegui obrigar a ler porque eram demasiado chatos. E sinceramente, a vida é demasiado curta para fazermos fretes em coisas que não são obrigações, por isso passei aos seguintes.

Boas leituras!

Anúncios

50 Sombras de Christian, ou o dilema da traça

like_a_moth_to_a_flame_by_deskridge-d9r0r35
Foto daqui

Ou porque é que eu faço estas coisas a mim própria.

Não saber o que nos apetece ler às vezes tem efeitos nefastos. No meu caso, como uma traça fascinada pelas chamas, eu acabo sempre por ir parar à literatura de cordel. É como catnip.

Desta vez andava a investigar uns sites manhosos que têm livros online quando me deparei com o 50 shades versão Christian. E pensei que era mau demais para ser verdade e tinha de dar uma espreitadela. E hoje, pouco mais de 24h depois pergunto-me o inevitável. Porquê?

Neste livro a autora volta a contar-nos toda a história do 50 Shades of Grey, mas desta vez toda na perspectiva do Mr. Grey himself. Os diálogos, as trocas de emails, as situações, tudo está exactamente na mesma, é apenas a perspectiva que muda. Os anglo-saxónicos têm uma expressão para isto, se estou correcta chama-se milking the cash cow.

Eu sabia à priori que seria um mau livro. No original até às cenas de sexo são mal escritas, sensaboronas e completamente afastadas da realidade BDSM que tentam retratar. Mas mesmo assim tive que ler. E devo dizer que não fiquei desiludida. Cumpriu todos os objectivos. Era um mau livro, cheio de diálogos forçados, situações demasiado irrealistas para serem verosímeis e que passei mais tempo a revirar os olhos (coisa que aparentemente enervaria o nosso protagonista) do que realmente a divertir-me.

Resta a consolação de saber que estou um livro mais perto do objectivo do Goodreads deste ano e esperar que o meu cérebro me permita regressar a livros de qualidade. E fica a questão no ar, será que nos dias de hoje ainda se escrevem livros eróticos de qualidade, ou serão todos como este, romances do Arlequim disfarçados? Se alguém souber, que me diga.

Goodreads Review

Feira da Luz

Até 24 de Setembro vai estar no Largo da Luz em Carnide mais uma edição da Feira da Luz, que é como dizer que a aldeia desce á cidade. Temos vendedores de especiarias, loiças e tuperwares, lado a lado com artesanato e alguma (pouca) contrafacção. Tudo isto apimentado por música popular portuguesa nos altifalantes, e concertos ao fim de semana.

Podem ver toda a programação aqui, para ter a certeza que não perdem nada de importante. Eu sugiro uma fartura,  uns pães com chouriço (há restaurantes com grelhados para quem procurar algo mais substancial), e umas voltinhas a ver as vistas. Se precisarem de colheres de pau também estão no sítio certo.

Para mim a Feira da Luz é um ritual que eu fazia anualmente com a minha mãe, e que ela fazia com a minha avó muito antes de eu existir. É um regresso à infância e por isso agridoce, porque relembra o que já perdi. Por isso a importância de criar novos rituais e rumar até lá com amigos, beber uma ginjinha e fazer uma saúde.

Vão até lá dar uma espreitadela e entrem num mundo paralelo mesmo dentro da cidade.

Feira da Luz 01
A banca dos chás e especiarias
Feira da Luz 02
Testemunhos doutros tempos
Feira da Luz 03
A reinvenção do sabão macaco

De volta à Leitura – Sandman Slim

Sandman Slim_Perdition Score

Às vezes quando estamos com bloqueio de leitor durante muito tempo, o mais seguro é regressar a um velho conhecido, daqueles que entretêm e não desiludem. Fui em busca de velhos amigos, e quase sem querer percebi que o Richard Kadrey já tinha aumentado a sua saga do Sandman Slim em mais dois títulos desde a última vez que eu tinha investigado. Mesmo o que eu estava a precisar, um anti-herói improvável que resolve tudo na base da violência e que tem aventuras tão loucas e desvairadas que as páginas parecem voar.

Assim peguei no Perdition Score, o oitavo volume das histórias de James Stark, um homem que esteve durante 11 anos no Inferno, vivo, a lutar nas arenas ao serviço de um demónio, mandado para lá por um dos seus associados terrenos que o traiu. Sobreviveu porque é uma abominação, meio homem meio anjo, o que lhe confere poderes extraordinários e um mau feitio igualmente lendário.

As histórias são simples mas convincentes, tanto quanto fantasia urbana o pode ser, com criaturas nossas conhecidas e outras inventadas pelo autor, com muito humor à mistura, e sempre com um ritmo frenético. Apesar de já ser o oitavo volume, o autor tem sabido evoluir a personagem de modo a nunca se tornar aborrecido, nem perder aquele toque que o torna único. A acção passa-se maioritariamente em LA, e por vezes para quem não conhece a cidade torna-se dificil visualizar determinados cenários, mas as descrições são suficientemente interessantes para manter os livros apelativos.

No entanto, mesmo apesar de oito títulos, Richard Kadrey consegue, ao mesmo tempo que nos dá velhos personagens favoritos como Mustang Sally, inovar sempre, e colocar um twist final que me fez ir a correr para o volume seguinte.

Aconselhado a todos os que gostam de fantasia urbana, livros tão rápidos como os seus carros e motas, e muitas referências de sub-cultura pop.

Goodreads Review

So, this is how regular people live. They get paid to do a job, then have to spend the money on clothes they don’t want to wear somewhere they don’t like, then spend even more money commuting. And that doesn’t count the years of their lives spent going from home to a desk and back again. Fuck that. At least in the arena in Hell they didn’t charge us for our weapons. And we got to steal better ones from who or whatever we killed that day. Sure, we didn’t have 401(k)s, but if there was a boss who wouldn’t get off your back, we didn’t have to go to HR about it. We just cut the fucker’s throat. That’s job satisfaction.