O Peixinho e a Imprensa Cor-de-Rosa

 

Eduardo Beaute
Foto tirada daqui

 

Quando eu tinha uns 11, 12 anos a minha mãe ou a minha madrinha, que eram as minhas personal stylists da altura, compraram-me uma saia de ganga. Era enorme, comprida, rodada, e eu estava muito orgulhosa, apesar de na realidade poder ser um bocadinho pindérica. Afinal estávamos nos anos 80.

Levei-a comigo quando fui passar férias à terra da minha avó, e andava sempre com ela para trás e para a frente. A nossa vizinha do lado uma tarde disse-me, no meio da rua que era onde se passava toda a vida da aldeia: “que saia horrível filha, eu não queria isso nem dado para andar ao mato”.

Ao que eu, um bocadinho magoada no meu amor-próprio, respondi: “não se preocupe Ti’Eugénia, que eu também não lha dou.”

E rimo-nos as duas, juntamente com a minha mãe e a minha avó que tinham assistido a esta altercação. Eu achei que a Tia Eugénia era uma velhota sem sentido estético, e ela deve ter achado que eu era uma miúda pespineta, mas isso não mudou em nada o carinho que sentíamos uma pela outra, ou sequer a vida daquela pequena comunidade.

O problema de hoje em dia é que toda a gente é uma Tia Eugénia, sem sentido de humor nenhum, e com a sua voz amplificada pelo anonimato dum Facebook.

E é só isto que tenho a dizer sobre estes não assuntos que circulam por aí.

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