A Páscoa

broa

Amanhã é Domingo de Ramos e entramos oficialmente na semana da Páscoa. A Páscoa é sem dúvida das minhas épocas favoritas do ano e a festa que mais gosto. Ao contrário do Natal, ainda não foi tomada de assalto por campanhas de marketing publicitário. Pelo menos em Portugal o coelhinho não tem tanta força como o Pai Natal. Por isso, para quem não celebra é só mais um fim de semana grande, e quem celebra, como eu, está mais descontraído.

Por outro lado o Natal é chuva, frio e escuridão. Admito que para quem tenha lareira e goste da nostalgia invernal, isso possa ter algum encanto, mas para mim nem por isso. A Páscoa é renovação, sol e primeiros dias de calor. Pássaros a cantar e flores que voltaram. Há uma alegria inerente à Páscoa que me enche de boa disposição.

Depois a logística natalícia sempre foi pesada. Onde ficam os avós este ano? Passam a meia noite cá ou lá? E o ano novo? E como é o almoço? E compra-se presente para este, ou só nos vamos ver em Agosto e por isso não vale a pena?

A Páscoa sempre foi leve. No fim de semana anterior há a Missa dos Ramos, depois as celebrações pascais propriamente ditas. Quando era mais nova, como teria ainda uma semana de férias antes de retomar os estudos, normalmente punha a mochila às costas e partia para a terra, ter com a avó e com os amigos que lá estivessem para uma semana de descanso e natureza.

E era uma semana maravilhosa, recheada de livros (pelo menos quantos os que eu conseguisse carregar na mochila, porque tinha de apanhar duas camionetas e ainda era coisa para me pesar nas costas), amigos e petiscos que a minha avo fazia, como broa, bola de carne, peixe assado na “patusca”. Na quinta feira íamos de táxi até à feira de Arganil, porque a minha avó gostava de passear comigo.

No Domingo a seguir à Páscoa (a Pascoela) o prior da freguesia ia até à aldeia e entrava em todas as casas para as abençoar, e nós andávamos atrás dele. Para os mais novos era uma diversão, para os mais velhos uma missão, para todos um sentido de comunidade. Ao fim do dia regressava a Lisboa.

Muitos anos se passaram, e a vida de todos nós é hoje muito diferente. Uns ficaram, a maioria partiu. As memórias são boas, e a Páscoa continua a ser a minha altura favorita do ano, e chegando a este fim de semana, uma alegria tranquila entra no meu coração.

Boa Páscoa a todos.

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