Páscoa Feliz

Pascoa Feliz

Nada mais apropriado a este tempo de Quaresma que um livro com este título. No entanto devo começar por dizer que a felicidade estava mesmo só no título já que todo o desenrolar desta história é difícil e pesado. Mas vamos por partes e comecemos do inicio.

Este era um dos livros que estava na calha, e foi um presente de aniversário duma amiga, a mesma que me apresentou a vários poetas e ao João Sem Medo, portanto as expectativas eram altas. E posso dizer que não ficaram defraudadas.

O livro está muito bem escrito e esta edição (d’A Bela e o Monstro Edições Lda) é deliciosa. Desde a fonte até à grafia, tudo emula a primeira edição de 1932 e sentimo-nos a viajar no tempo. Por outro lado este é outro daqueles autores que, não sendo hermético e quase místico na sua escrita, tem sido bastante esquecido pelos nossos fazedores de listas de melhores livros, que tendem a premiar escritores mais complexos e no geral mais difíceis de ler.

No entanto, através da simplicidade se consegue transmitir muita beleza, e este livro foi uma vertiginosa viagem dentro da mente dum homem condenado que nos vai contar a sua história. Acho sempre impressionante como um autor consegue transmitir no papel o que é viver dentro duma realidade de loucura duma maneira que pareça verossímil, e já o tinha sentido quando li “A Loucura” de Mário de Sá Carneiro algures em 2015. Este livro pareceu-me mais consistente, e fiquei muitas vezes agarrada à história na antecipação do seu desfecho, que nos é entregue de modo velado e temos nós o ónus de o desvendar de modo satisfatório.

Gostei muito, fiquei com vontade de ler mais coisas deste autor, de o investigar (como faço sempre para ter algum contexto sobre as coisas que leio, nesse aspecto a internet veio enriquecer bastante a experiência de leitura), e tenho pena que seja um semi desconhecido no nosso panteão.

Recomendo a todos os que queiram ler mais autores portugueses.

Goodreads Review

Eu já sofri. Já fui um revoltado, um criminoso, se quiserem. Hoje, vivo serenamente. A serenidade é a maior virtude da inteligência.

Mas porque penso eu no mundo? É um hábito que fica. Detesto a vida activa. Os gestos que faço, os passos que dou, perturbam-me a vida interior, que é o meu prazer. Esquecimento, quietação! Doutor, não me pregunte mais nada!… Tenho amor a esta casa onde adquiri a certeza de que existo, porque penso.

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