6º Dia – Baía de Phang Nga

Ou, como é mais conhecida, James Bond Island. Tudo porque um obscuro filme do James Bond, The Man With the Golden Gun, foi parcialmente rodado numa daquelas ilhas (era o esconderijo do vilão, Scaramanga). Mas é claro que não é só isto que torna esta baía uma das zonas mais procuradas pelos visitantes da área. É que é realmente uma zona lindíssima, com vistas deslumbrantes, e que fica bem em qualquer Facebook ou Instagram. Eu que o diga.

Desta vez resolvemos fazer o pacote turístico completo, e, contrariamente ao que é nosso costume em que andamos quase sempre independentemente ou com guias descobertos por nós, resolvemos contratar os tours com a intermediária da agência de viagens. Como íamos pouco tempo, o preço teve desconto, e as coisas pareciam bem estruturadas, resolvemos fazer o pacote completo. E claro que isso tem vantagens e desvantagens.

A principal vantagem é que não temos de nos preocupar com nada. Vêm buscar-nos numa carrinha com ar condicionado, levam-nos até ao cais, entretêm-nos com música ao vivo até chegar a altura de embarcar. Os barcos são bons e os sítios onde nos levam são os mais relevantes. A principal desvantagem é que ao mesmo tempo estão outros milhares de turistas a fazer exactamente a mesma coisa nos mesmos locais, e há sítios que estavam piores que a Fonte da Telha em Agosto… e sem caixotes do lixo.

Mas, voltando à cronologia. Escrupulosamente à hora marcada vieram buscar-nos ao hotel para começar a viagem até ao cais. Em Phuket sentimo-nos em casa, porque está igual a Lisboa, parece um estaleiro em obras e o trânsito é um caos. Mas na realidade o tráfego flui com mais naturalidade, e nunca se ouvem buzinadelas nem condutores irados. As pessoas são mais pacientes e tudo parece mais orgânico.

No cais já haviam imensas pessoas à espera, mas as coisas são muito bem organizadas com um sistema de pulseiras que nos identificam por barco. Eu, ou não fosse um peixinho, adoro tudo o que tenha a ver com água e barcos e passeata em alto mar, por isso estava entusiasmada. O peixinho vermelho depois do comprimido para o enjoo estava mais optimista.

Até à primeira paragem foi cerca de 1h de caminho numa lancha de 3 motores, super rápida. É importante irmos bem sentados, porque isso dita a boa (ou má) disposição para o resto do dia. Os lugares lá fora à frente são os melhores para quem enjoa, mas a menos que se queiram transformar numa lagosta suada em menos de nada, não aconselho a ninguém. Se os tailandeses que trabalham nas praias andam com todos os centímetros de pele cobertos para fugir ao sol, e são mais escuros que nós, isso diz muito do força dos raios UV naquela zona. Fugir do sol o mais possível é a palavra de ordem para preservar a saúde. Por isso nós ficámos nuns bancos altos virados para a porta, mesmo à frente do barco. Apanhavam imenso vento, e eram estáveis, foi uma viagem simpática.

O primeiro local onde parámos foi numa ilha onde haviam macacos, super habituados aos turistas. É que não nos ligavam rigorosamente nada. O truque é não interagir com eles, porque são uns danadinhos que mordem e arranham, e se temos o azar disso nos acontecer passamos o resto das férias a levar injecções contra a raiva. Mas são patuscos e na realidade não é todos os dias que vemos macacos assim ao vivo em liberdade. Mesmo em São Tomé eles não deram o ar da sua graça, possivelmente porque estão mais habituados a ser caçados do que a ser alimentados por turistas.

Daí enfiámos o barrete (mais concretamente o capacete) e fomos explorar 100m de grutas. O interesse não estava nas grutas propriamente ditas, mas nos mangais onde elas desembocavam. Uma explosão de verde, depois do escuro das grutas, e uns peixes pulmonados lindíssimos que eu me entretive a fotografar enquanto o guia estagiário agitava a água para os fazer mexer. Mais grutas, mas desta vez dentro de canoas. Não íamos nós mesmo a remar, éramos levados por uns guias locais que conheciam bem o sítio, e que nos iam mostrando as coisas mais interessantes. Giro, mas é tudo demasiado rápido e somos conduzidos em rebanho, não temos tempo para apreciar as coisas devidamente e com sossego.

Vamos finalmente para a dita Ilha do James Bond, ponto alto do dia, mas que sinceramente não vale a pena. Eu nem sequer vi o filme, e estar enfiada num carreiro com largas centenas de pessoas a tirarem selfies como se o mundo fosse acabar não é para mim. Fiquei sossegada à sombra enquanto o peixinho vermelho fez o caminho até ao final, apenas para desembocar numa praia cheia e suja, e voltar para trás a dizer que eu tinha feito bem em não ir. Tendo em conta que se paga uma taxa por ser parque natural, se estiverem a fazer um tour com um barquito mais pequeno, nem desembarquem e peçam para ir antes a uma ilha mais pequena e deserta, que com certeza desfrutam mais.

O almoço foi numa suposta aldeia palafítica que hoje em dia deve viver apenas destes almoços turísticos. A comida tinha óptimo aspecto, mas o peixinho vermelho estava que não podia, e eu própria já tinha tomado dois Imodiums nessa manhã. Nunca um arroz chau chau nos soube tão bem, para espanto dos nossos companheiros de mesa que se deliciavam com todas as iguarias cheias de molho.

Paragem seguinte foi numa praia de águas calmas, onde nos estavam sempre a tentar vender cocktails e passeios de jet ski. A água estava convidativa, mas pareceu-me muito fria. Não estava fria, eu é que estava quente. Mas foi uma bela e relaxante banhoca, que nos soube muito bem. As praias na Tailândia são ao contrário das algarvias. No Algarve temos uma pequena zona delimitada para as embarcações onde não podemos tomar banho. Na Tailândia toda a praia é para os barcos e nós só podemos tomar banho nuns quadradinhos delimitados por corda. Quando íamos a sair da água o peixinho vermelho tocou com as costas na corda, que estava obviamente cheia de algas, e ficou imediatamente vermelho, cheio de alergia.

Já estávamos prontos para voltar para o conforto do hotel e realmente quando cheguei percebi que era eu que estava doente e com febre. Uma banhoca e um paracetamol depois e estava na cama às 18h30 da tarde. Tinha de recuperar o suficiente para estar em condições para a visita às ilhas Phi Phi no dia seguinte, que já não poderia ser novamente adiada. A aventura continuava.

phuket-37
Não há palavras para descrever isto…
phuket-38
A paisagem que nos acolhe quando chegamos à Baía de Phang Nga
phuket-39
Águas calmas e paisagens imensas, mesmo com nuvens.
phuket-44
Os macacos que andavam à solta mesmo ao pé de nós.
phuket-45
As crias eram mais comedidas e ficavam pelas árvores.
phuket-53
Os adultos estavam MESMO ao é de nós.
phuket-47
Depois de 100m de grutas desembocávamos neste mangal.
phuket-48
O verde era deslumbrante.
phuket-52
Mesmo deslumbrante.
phuket-50
A água estava cheia de peixes pulmonados.
phuket-51
Que para além de fluorescentes são venenosos.
phuket-54
Depois do passeio a pe, chegou a vez da canoa.
phuket-46
Ver o mar mais de perto.
phuket-40
Toda a gente andou de canoa, mas quem remava eram uns senhores locais.
phuket-55
E mais uma vez fomos ter a uma lagoa interior.
phuket-41
E o passeio termina a ter de subir da canoa para dentro do barco. Nada demais para um peixinho.
phuket-42
O muy famoso rochedo do James Bond. Deve ser o pedaço de rocha tailandês mais fotografado de sempre.
phuket-43
Depois deste bocadinho de paraíso, fomos tomar uma banhoca na praia dos coktails e não há registo fotográfico.
Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s