4º Dia – Passeio à Cidade Velha

 

Mais uma vez o dia amanheceu com chuva, e as ondas da praia ao pé de nós rivalizavam com as da Ericeira. O dia não convidava a banhos, apesar de quente, e em vez disso resolvemos ir até à cidade velha de Phuket. Tínhamos lido alguma coisa sobre ela e sabíamos que íamos encontrar alguma arquitectura sino-portuguesa pitoresca, bem como alguma Ásia mais genuína e menos enlatada que aquela que tínhamos ao pé do resort.

O senão é que ir até lá de tuc-tuc não era aconselhável pela distância e estado das estradas, e de táxi era caro, cerca de 40 euros ir e voltar. (Phuket é surpreendentemente não barato, talvez devido a ser muito turístico, com turismo essencialmente americano, inglês e asiático). A solução foi-nos apresentada pela Nokki, a nossa intermediária da agência de viagens. Ir de autocarro. Umas carripanas velhas, onde podíamos ir amontoados com outros turistas e demorar 1h a fazer 12km, mas gastar apenas 35 bahts (0.90 €) cada um. Assunto resolvido, estava decidido que iríamos de autocarro. E foi uma experiência do mais cómico que pode haver, geraram-se amizades familiares e íntimas com os outros passageiros, e passei a ter muito mais apreço pelo meu 758 diário que tanto me desespera.

Uma hora depois chegámos à cidade de Phuket, com um mapa na mão e apenas uma vaga ideia de onde estava o que queríamos realmente ver. Nada que nos preocupasse, normalmente é assim que gostamos de fazer os nossos passeios e descobrir alguns tesouros. A cidade tinha realmente edifícios lindíssimos e pitorescos, e tudo era motivo fotográfico. As pessoas, tal como na praia, primavam pela simpatia, e sorriam a todo o instante. Umas moças numa janela cumprimentaram efusivamente o peixinho vermelho e eu demorei um bocadinho a perceber que se calhar era mais do que simpatia inocente (até porque a mim, curiosamente, ignoraram-me).

Depois de muitos terem insistido, finalmente sucumbimos a um condutor de tuc-tuc mais persistente que nos queria mostrar a cidade no seu veículo. Por cerca de 5 euros, levou-nos a um templo local, uma loja de souvenirs, deixou-nos a passear na “baixa” da cidade, e mais tarde passou para nos buscar e nos deixar num mercado. Não aquele que realmente queríamos e que nunca conseguimos encontrar, mas mesmo assim um mercado. Valeu pela experiência de andar de tuc-tuc pelas ruas da cidade e para descobrirmos exactamente a melhor rua para ver. O mercado era enorme, cheio de malas, roupas, chinesices generalizadas. E melhor que tudo, tinha ar condicionado, e permitiu-nos andar um bocadinho fugidos ao calor. Depois de algumas compras lá ganhamos coragem para fazer o pequeno mas desafiante percurso de volta ao centro da cidade, para procurar um sitio onde pudéssemos almoçar com ar condicionado. Apesar da chuva intermitente e do céu fechado, o calor era sempre sufocante. Comemos num sitio patusco, auto intitulado a melhor casa de panquecas, onde tudo era feito com panquecas, incluindo os hamburguers. E com isso selámos o nosso destino.

Depois de tanta passeata já estávamos cansados e resolvemos voltar ao autocarro, que ainda tínhamos 1h de caminho de volta. O regresso foi tão animado como a ida, autocarro cheio, pessoas sentadas no chão, calor abafado, e o peixinho vermelho a ficar progressivamente mais verde à medida que nos aproximavamos do destino. Quando chegámos a Kata ele já estava a precisar de descanso, e resolvemos recolher ao fresquinho do quarto. Com o passar do tempo as coisas foram piorando, ele ficou com febre, e percebemos que a viagem às ilhas Phi Phi que tinhamos planeado para o dia seguinte já não seria possível. Mais uma vez fomos acolhidos com imensa simpatia, e a Nokki não só remarcou sem mais demoras, como se ofereceu para nos chamar um médico se fosse preciso. Mas só precisávamos de sopas e descanso. Neste caso chá e torradas. Não era a primeira vez que estávamos doentes em viagem, já em Paris eu tinha precisado de cuidados médicos, mas é sempre algo que desanima um bocadinho.

O próximo dia seria uma incógnita, até porque a chuva tinha voltado em força. Mais aventuras nos esperavam.

phuket-16
Uma amostra do autocarro acolhedor.
phuket-17
Um exemplo da arquitetura típica de Old Phuket Town
phuket-18
Encontrávamos altares como estes por todo o lado, sempre com ofertas como leite e fruta.
phuket-19
O charme dum velho casarão
phuket-21
O antigo posto dos correios que é hoje um museu filatélico
phuket-22
O tuc-tuc, pois claro!
phuket-20
A arquitetura sino-portuguesa do centro da cidade.
phuket-23
As cores!
phuket-24
Em cada casa uma explosão de cor.
phuket-25
Pézinhos no chão.
phuket-26
Os azulejos eram maravilhosos.
phuket-29
Casamento, thai style!
phuket-27
O Peixinho descobre livrarias até nos sítios mais improváveis.
phuket-28
O pôr-do-sol chega cedo nestas latitudes
phuket-30
O famoso autocarro que levava mais de 40 pessoas empacotadas. Uma experiência a não perder.

 

Anúncios

One thought on “4º Dia – Passeio à Cidade Velha

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s