Kindle ou não Kindle, eis a questão!

P60612-134730

Desde que aprendi a ler que devorava tudo o que me aparecia à frente. Uma grande percentagem do  primeiro dinheiro que ganhei a dar explicações desde os 16 anos foi gasto em Feiras do Livro. E ao longo dos anos isto não parou.

Quando saí de casa dos meus pais tinha já uma colecção jeitosa de livros. E continuei a comprar. O problema foi que me mudei para um pequenino T1, partilhado com livros do Peixinho Vermelho e, apesar de todas as teorias da relatividade, o espaço não expande.

E então em 2012 ele ofereceu-me o Kindle. Eu percebo todos os argumentos de quem diz que adora a sensação do papel, o passar as páginas, o cheiro dos livros. Eu própria senti isso mas a realidade é que passou em menos de nada. No meu caso a possibilidade de ter naquele pequenino aparelho mais livros do que tenho em casa, conquistou-me imediatamente.

Naquele momento foi como se o mundo se abrisse para mim. À distância de um clique (ou vários) estavam autores novos, mundos novos, coisas que as nossas pequeninas editoras não mostravam. Claro que se lê essencialmente em inglês. Os livros em português são poucos ainda, e confesso que a única vez que comprei (sem ser descarregar no Project Gutenberg ou Projecto Adamastor) arrependi-me porque não acabou por ser incompatível com o dispositivo. Mas nestas duas plataformas já tenho com que me entreter e eu dei-me permissão para complementar isso com livros físicos comprados em alfarrabistas.

Mas para quem como eu lê essencialmente no autocarro, poder viajar com todos os volumes do Game of Thrones e não lhes sentir o peso, acabar um na viagem de ida e poder começar imediatamente o volume seguinte na viagem de regresso, o poder levar livros intermináveis para férias e nunca me faltar a leitura, tudo isso são vantagens que superam largamente qualquer desvantagem.

Para quem gosta de sublinhar os livros, isso continua a ser possível, e é fácil de consultar. Para quem era mais cuidadoso (como eu), agora pode sublinhar-se à vontade que não se estraga o livro, e para copiar as citações é um simples copy/paste.

Quando se quer matar saudades do papel sobra a BD, ou os livros portugueses em segunda mão. Só nesses tenho ainda um longo mundo para descobrir.

Anúncios

Os livros que ninguém lê

couplereading

Na internet há lugar para tudo, e há mesmo um canto escondido para os livros que ninguém lê. São aquelas pérolas escondidas (ou talvez não), pouco apreciadas, e que em inglês dão pelo nome de Neglected Books.

Vale a pena dar uma espreitadela por lá, apesar de estar muito direcionado, como quase sempre nestas coisas, para o mundo anglo-saxónico. Lá pelo meio podem encontrar-se verdadeiras gemas, mas na realidade a grande maioria dos livros são ilustres desconhecidos.

Para mim o site peca pela dificuldade de busca. Não há (ou pelo menos eu não encontrei), um local onde estejam agregados os autores por ordem alfabética. Por outro lados as críticas aos livros são deliciosas e quase todos apetecem ler.

É como passear por um velho alfarrabista sem o ataque de asma. E na realidade sem sair de lá com o livro, porque se quisermos algum ainda temos de procurar sítio online onde o comprar.

Vão lá espreitar e digam o que acharam.

O último Pizzaboy

Dog Mendonça

Na realidade o último Pizzaboy é quase exclusivamente sobre o nosso amigo lobisomem Dog Mendonça. Posso agradecer aos passatempos da TimeOut o facto de poder ter lido este livro, porque apesar de ter comprado todos os outros volumes da colecção ainda não me tinha decidido a comprar este. Mas assim que a oportunidade apareceu agarrei-a e fui uma das contempladas. Já tinha falado desta série aqui.

Este livro tem 4 episódios e não uma única narrativa central como os outros, uma vez que tinha sido uma encomenda da editora americana Dark Horse para uma colectânea de vários autores. Talvez por isso se note que não há a mesma força das histórias mirabolantes dos outros volumes. No entanto, a qualidade gráfica continua a ser deslumbrante (e a justificar em pleno o convite da Dark Horse), e a cumplicidade entre os personagens é deliciosa. O sentido de humor que salta de cada página é também o que já nos foi acostumando desde sempre.

Aconselho também lerem esta review de quem segue BD mais que eu, a Cristina do blog Rascunhos.

Aconselho a quem gosta de BD, de bons livros, e de fantasia.

Goodreads Review