Dia 9 – As lindas praias do Sul

Este dia começou cedo porque o caminho para o Sul era longo. Felizmente as estradas estão melhores, pelo menos na maioria do percurso. Quando o Domingos chegou para nos vir buscar já nós tinhamos dado um salto à cidade para beber um café. Nada como começar o dia bem cedo e aproveitar todos os minutos. Os santomenses, tanto quanto nos foi dado ver, são muito empreendedores e em cada espacinho fazem uma quitanda onde vendem de tudo um pouco. Os manequins femininos que haviam mesmo ao pé de nós no meio da rua eram deliciosos, com um traseiro de fazer inveja a qualquer modelo europeu escanzelado.

Mas lá fomos em direção ao tão famoso sul de que toda a gente nos falava como ex-libris da beleza, ficando só atrás do Príncipe. A estrada pelo menos começou bem, porque era a melhor que já tínhamos feito e as minhas costas puderam ter um bocadinho de alívio.

01Rio Sul
Como sempre, em cada bocadinho de água doce há gente a lavar roupa.

Passámos pela Roça Água Izé sem parar, vimo-la apenas da janela do carro. A nossa primeira paragem nesse dia foi na Boca do Inferno. Diz a lenda que a D. Amélia que se perdeu na lagoa com o mesmo nome veio sair aqui na Boca do Inferno. Creio que é da praxe haver sempre uma história fantástica com estes sítios de beleza selvagem.

02 Boca do Inferno
Boca do Inferno
03 Boca do Inferno
Ainda a Boca do Inferno

O dia ainda era jovem e banhos viriam mais tarde, seguimos para a praia das Sete Ondas, que como o nome indica tem umas ondas muito bonitas e regulares. Se não tivéssemos guia nunca conseguiriamos dar com estes sitios, porque não estão assinalados e simplesmente se sai da estrada para um bocadinho de terra batida, estaciona-se o jipe e chega-se a uma bela praia onde não está ninguém para além de nós e possivelmente umas crianças.

04 Praia das Sete Ondas
Praia das Sete Ondas
05 Praia das Sete Ondas
Praia das Sete Ondas

Mais uma vez pusemo-nos a caminho, ainda havia muito para ver e o dia tinha de ser bem aproveitado. Próxima paragem Ribeira Peixe. Esta foi a paragem mais estranha, porque entrámos dentro duma aldeia cheia de gente, principalmente miúdos, e ainda tivémos de andar a pé por uns caminhos onde escorria uma água que eu prefiro não pensar muito no que seria. As crianças aqui tinham novamente um ar apático e extremamente pobre, e até os meus elásticos de cabelo que trago sempre no pulso causaram fascínio. Lá ficou o elástico e algumas canetas que trago sempre comigo para tentar animar algumas daquelas caras. No final, a beleza da cascata não apagou a pobreza daquelas caras.

06 Ribeira Peixe
A praia em Ribeira Peixe
07 Ribeira Peixe
A cascata.

De novo no jipe, que havia ainda muita coisa para ver. Mais à frente começamos finalmente a ver o Cão Grande, a famosa elevação que parece nascida no meio do nada e que aparece em todos os guias de São Tomé. O nosso vizinho japonês da guesthouse contou-nos que descobriu o país porque viu uma foto do Cão Grande e pensou: tenho de subir àquilo. Depois viu um documentário sobre São Tomé e resolveu inclui-lo na sua viagem (já estava a viajar há um ano quando o conhecemos, e só vai para algures em 2017).

Infelizmente nesta zona vê-se também a enorme plantação de palmeira que tem vindo gradualmente a substituir o parque natural. Num país com pouco emprego e muitos recursos naturais, uma solução como esta pode parecer ideal como geradora de emprego e riqueza, no entanto se não for feita com cuidado e precauções pode não só matar a biodiversidade única da ilha, como provocar alterações climáticas importantes. Há no Público um artigo antigo mas que reflecte um pouco sobre este assunto. Aqui.

08 Cão Grande
O Cão Grande ali ao fundo
09 Cão Grande
Nesta vista consegue ver-se a extensão da plantação de palmeira que se estende nesta zona de parque natural.
10 Estrada
Matrícula pintada à mão, pois claro. 
11 Rio
O rio Iô Grande, o maior de S. Tomé.
12 Rio
Pode ir-se de barco ver os mangais. Fica para a próxima.

Mais à frente a estrada deixa de ser boa, para deixar mesmo de ser estrada. Chegámos outra vez aos caminhos de terra batida e com eles praias escondidas. Estas, como são mais famosas não estão vazias. Mas em nenhuma delas encontrámos mais de 20 pessoas de cada vez. Acho que dificilmente voltarei à Costa da Caparica com o mesmo entusiasmo. Nem no inverno está tão vazia. Fazemos a visita em crescendo de beleza, e isso significa que começamos pela praia Jalé, seguimos para a praia Piscina e terminamos na deslumbrante Praia Inhame. Nesta existe um eco-lodge que nos parece em espírito muito semelhante ao Mucumbli. Pergunto-me porque não viémos passar aqui uns dias (lembrei-me entretanto porquê, os sitios que escolhemos não foram à toa), mas naquele momento aquela praia parecia o paraíso com o Ilhéu das Rolas como pano de fundo. Foi aqui que fomos dar um belo mergulho e refrescar da viagem.

13 Praia Jalé
Praia Jalé
14 Praia Piscina
Praia Piscina
15 Praia Piscina
O outro lado da praia Piscina
16 Praia Inhame
A praia Inhame – Sem Stress
17 Praia Inhame
O Ilhéu das Rolas
18 Praia Inhame
Praia Inhame – 2 minutos depois da foto estavamos dentro de água. 

Banho tomado, roupa trocada, aproximava-se um momento pelo qual eu ansiava desde Lisboa. Amante de culinária que sou, vi bastante vezes o programa Na Roça com os Tachos, e gosto do jeito do João Carlos Silva, por isso ia com expectativas altas almoçar em São João dos Angolares. E, tal como na fábrica do Corallo, as expectativas foram superadas. Para além de chef ele é também um entertainer e o almoço foi uma experiência única. Com direito a ver a cozinha de fogões a lenha, e ter o chef a vir à mesa falar com todos os convivas. Adorei!

19 Roça Angolares
O enpratamento. O restaurante é também uma escola, e o chef trabalha com alunos da região. 
20 Roça Angolares
A cozinha da roça.
21 Roça Angolares
Tragam-me a banana meus queridos!
22 Roça Angolares
A vista!
23 Roça Angolares
Uma das entradas, ceviche com maracujá. Nham nham!

Estava na altura de dar o passeio por terminado e voltar a São Tomé. Mas o dia estava longe de terminar. Jantámos qualquer coisa cedo em casa (6 e picos tornara-se a nossa hora de jantar habitual), mas o Edner e a Jandira, anfitriões da Sweet Guest House andavam a desafiar os hóspedes para uma festa particular. “Sardinha vs Kuá-Kuá“. Kuá-kuá é o nome dado ao peixe voador quando assado como a sardinha, assim inteiro e só com sal. É o único peixe que os santomenses cozinham assim, todos os outros levam uns temperos próprios (e deliciosos) antes de grelhar.

E assim fomos para parte incerta da cidade, nós e quase todos os hóspedes da Guest House participar duma verdadeira festa santomense. Nesse dia tinham chegado também a Isabel e a Rosário, na sua segunda visita a São Tomé, e foi uma noite de comida, bebida, música e experiências partilhadas. Para nós marcava o fim duma aventura, para elas apenas o começo do reencontro.

Fomos dormir tardissimo e com o coração já cheio de saudades. O dia seguinte seria o último e esperava-nos a ida ao mercado para levar alguns produtos para casa.

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