Dia 8 – O Centro de São Tomé

O dia amanhece cedo também na cidade, com a diferença que desta vez tivémos que fazer o nosso próprio pequeno-almoço, que foi bastante menos glamouroso. No entanto o terraço da Sweet Guest House oferecia não só alguma protecção contra o calor como oportunidade de socializar com os outros hóspedes enquanto fazíamos tempo para a partida. Era dia de Portugal, e iríamos fazer a visita ao centro onde passaríamos também na Casa-Museu Almada Negreiros. Pareceu-nos apropriado.

O centro é a região natal do Domingos, nosso motorista, e isso vê-se no à-vontade com que cumprimenta as pessoas e com que se movimenta na região. A primeira paragem é na cascata de S. Nicolau, maior do que a que tinhamos visto anteriormente e igualmente bonita. Esta é menos selvagem, e está arranjadinha para permitir visitas e banhocas.

A zona centro é incrivelmente fresca quando comparada com todo o resto de S. Tomé e houve alturas em que quase cheguei a sentir um bocadinho de frio quando o jipe andava mais rápido e a janela estava bem aberta. Soube bem sentir esse fresquinho novamente.

01Estrada
Há de tudo nas estradas em São Tomé.
02Cascata
Cascata de São Nicolau
03Cascata
Ainda na cascata.
04Matabala
Folhas de matabala, um tubérculo comestível que cresce em todo o lado.

Depois de algum tempo na cascata, fomos ver o Jardim Botânico.  Visita guiada só para nós os dois com um guia muito conhecedor mas muito desiludido com a vida. Infelizmente a minha memória é péssima (mas eu ainda não acredito nisso), por isso achei que me ia lembrar de todos os nomes fantásticos das plantas que vimos, e lembro-me de aproximadamente zero. Fica a nota que são quase todas afrodisíacas, o guia tentou vender-nos a sua mezinha caseira durante toda a visita, e mesmo num dia tão cinzento como aquele o jardim é lindissimo apesar do ar ligeiramente decadente e abandonado. Dos 22 guias de antigamente restam apenas 3 após São Tomé ter perdido acesso a uns fundos de auxílio internacionais para conservação. Não se cobra bilhete mas a melancolia do local convida a deixar um contributo que é devidamente registado num livro. Espero que a desilusão com a vida tivesse a ver com o tempo nublado daquele dia, e não seja uma constante daquele senhor, mas sinceramente duvido. Tivémos o bónus de nos explicar a diferença entre feiticeiro e curandeiro e o simples mal de invejas, e que há plantas para curar e proteger de tudo isso.

05Rosa de Porcelana
Se bem me lembro, esta é uma rosa de porcelana.
06Bico de Papagaio
Bico de papagaio.
07Bico de Papagaio
Bico de papagaio
08Begónia
As eternas begónias.
09Feto
A beleza dos fetos.
10Orquideas
O mais perto que estivemos do Príncipe.
11Aranhas
Pois… elas andam por lá.
12Jardim Botânico
Mais uma planta lindissima que não me recordo o nome.
13Rabo de Gato
Rabo de gato.
14Jardim Botanico
Mesmo num dia tão nublado, a vista do jardim botânico é fenomenal.
15Cientistas
Tantos, e tão poucos para tanta riqueza.

Novamente a caminho, parámos de seguida no “quintal” do Domingos. Uma coisa que reparámos neste passeio ao centro foi na multitude de pedacinhos de terra cultivados de legumes, tão diferente das bananeiras caóticas que víramos no norte. E realmente o Domingos tem um belo cantinho cheio de legumes cultivados e uma vista linda e partilhou-o connosco.

16Quintal
O “quintal”.

Paragem seguinte, a Casa-Museu Almada Negreiros. Novamente o luxo dum guia só para nós e uma visita muito interessante. Até ter começado a pesquisar esta viagem não fazia ideia que o Almada tinha nascido em São Tomé e o trabalho que esta associação está a fazer parece-me muito interessante, principalmente na envolvência com a comunidade em que estão inseridos. Deixaram o repto: se tivermos coisas do Almada que queiramos doar, eles aceitam, por isso estendo este pedido a quem lê estas linhas. Importante, especialmente se considerarmos que algumas das poucas doações que eles têm já foram roubadas por visitantes.

17Almada Negreiros
A Casa-Museu. Só as fundações são originais já que estavam num estado avançado de degradação. Está tudo a ser reconstruido aos poucos.
18Almada Negreiros
Pormenor do terraço
19Almada Negreiros
Pormenor da zona de exposições, máscaras feitas por artesãos locais.
20Almada Negreiros
O restaurante.

Este prometia ser um dia cheio, e dali partimos para a Roça Monte Café onde fomos almoçar e ver um bocadinho do processo do café. Cada vez que o carro parava percebíamos que afinal o dia estava muito quente, e eu estava novamente mais em baixo de forma. Mais um almoço de peixinho e uma visita interessante se bem que curta. Depois disso fomos para a cidade descansar no terraço e fazer tempo para a segunda parte do dia, a visita à fábrica de chocolate do Cláudio Corallo. Pelo meio ainda conhecemos a Marta, a organizadora dos nossos passeios destes últimos dias. Viajar a São Tomé é acima de tudo uma experiência social e as pessoas que conhecemos foi o melhor que trouxemos desta aventura.

21Roça Monte Café
A Roça Monte Café
22Roça Monte Café
Café a secar numa estufa solar.
23Roça Monte Café
Café a secar numa estufa de forno.

Mas entretanto lá fomos para o Corallo e acho que nada me tinha preparado para o que ia acontecer. Não tinha lido nada sobre isso, por isso fui totalmente surpreendida. O Claudio ele próprio faz a visita, que consiste em provas de vários chocolates, como se fossemos escanções de cacau. Divinal! Tudo, desde a eloquência do Claudio até a todos os chocolates que provámos. Foi precisa muita força de vontade para não estourar o orçamento e o espaço nas malas todo naquela tarde.

24Corallo
O Claudio Corallo a explicar como chegou ao melhor chocolate do mundo.
25Corallo
O C. Corallo a distribuir o melhor chocolate do mundo…

Visita do dia terminada, pedimos ao Domingos para nos deixar no centro da cidade. Fomos até à marginal e ficámos lá a fazer o mesmo que muitos santomenses, a namorar! Depois de caminharmos um bocadinho a absorver a energia fabulosa da cidade fomos petiscar ao Café do Xico e de repente sentimo-nos transportados a um qualquer Café Central duma vila portuguesa. Àquela hora eu era a única mulher presente, e o grande ecrã gigante preparava-se para dar o jogo de estreia do Europeu. Havia olhares de soslaio para os intrusos que ocuparam uma mesa com uma vista privilegiada para o jogo, e claramente não tinham interesse em vê-lo (foi sem querer!). No final comemos uma tosta mista e um sumol por tuta e meia e viemos embora recuperar forças, para gáudio de quem saltou para agarrar a nossa mesa.

Mais descontração no terraço com os nossos vizinhos da Guest House antes de irmos dormir, e o dia seguinte ia ser longo. A aventura ainda não tinha chegado ao fim.

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