Dia 7 – Passeio pelo Norte

Estava na hora de rumar a novas paragens e depois dum último pequeno-almoço principesco, felizmente com direito a papaia, estávamos prontos a embarcar. Despedidas feitas, ficámos tristes por deixar a Ana que tinha sido uma grande companhia nesses dias. Viajar também é isto, conhecer pessoas novas, trocar experiências, e esta viagem foi sem dúvida mais generosa neste aspecto do que as costumeiras que temos feito pela Europa. Mais um factor que nos levou a voltar completamente apaixonados por esta pequena ilha.

Com uma pontualidade santomense o nosso motorista veio buscar-nos. O Domingos iria ser o nosso companheiro de viagens nos próximos 3 dias e desvendar um bocadinho do muito que a ilha tinha para oferecer. Partimos em direcção a Santa Catarina pelo bocado que já tinhamos conhecido quando da nossa caminhada pelos túneis. Felizmente desta vez fomos só até ao túnel de Santa Catarina e não passámos novamente pela vila que eu acho que o meu coração não ia aguentar. Ainda tinha as imagens de pobreza bem gravadas na minha mente (ainda tenho) e não queria revive-las. Por isso foi com alívio que vi que voltavamos para trás no túnel.

01Praia Brita
A já conhecida praia Brita
02Tunel Sta Catarina
O túnel de Sta Catarina.

Voltámos para trás na estrada, passámos novamente pelo Mucumbli, Neves, e daí em diante era território inexplorado. Agora, dia de semana, Neves parecia uma cidade tão normal. As duas vezes que tinhamos por lá passado foi numa sexta à noite e num domingo de manhã e de ambas as vezes nos pareceu uma feira com toda a gente na rua. Aliás, no domingo de manhã tinha passado por uma senhora a vender uma cabeça de tubarão na rua, o que me deixou um bocadinho inquieta de cada vez que ia ao mar nos dias seguintes. Mas agora era um dia de semana perfeitamente normal, os meninos estavam na escola, e parecia uma cidade muito pacata e tranquila. Ficámos com pena de não termos explorado mais.

A estrada do norte é uma aventura cheia de enormes crateras, uma verdadeira gincana para qualquer condutor. Quando olhamos para o mar vemos sempre os mesmos pescadores artesanais e as mulheres a secar roupa nas pedras negras. Passado pouco tempo estávamos num dos ex-libris do norte, a Lagoa Azul. O nome já deixa antever o que é, uma enseada onde o mar é espectacularmente azul e as fotos obviamente não fazem justiça. Como em todas as outras zonas turisticas a que fomos, estavamos sozinhos. Nunca haviam mais do que algumas pessoas, e esse foi um dos maiores encantos de toda a viagem, a falta de pressão de pessoas, do turismo desenfreado, do termos que lutar por espaço e por paz de espírito. Da Lagoa Azul seguimos para a Praia dos Tamarinos para dar um mergulho, ideia que parece mais esperta do que foi na realidade porque sem a ajuda dos meus habituais sapatinhos de borracha magoei os pés nos calhaus rolados, levei com uma forte onda no rabo quando ia a sair e raspei um joelho todo no chão. Como dizem os ingleses: small price to pay. A água estava maravilhosamente queste e cristalina.

03Estrada Norte
Destroços de navios na estrada do norte
04Lagoa Azul
A Lagoa Azul, a verdadeira e não a cinematográfica.
05Praia Tamarinos
A praia dos Tamarinos (Tamarindos?)

O programa para o almoço era santola, aparentemente uma iguaria santomense, mas os peixinhos não comem marisco por isso fomos novamente para o peixe assado. E comemos um belo petisco, parecido com pastel de bacalhau mas versão fruta pão. Por mim tinha almoçado só aquilo, tão bom que era.

Depois de almoço passámos pela Roça Agostinho Neto. Grande, cheia de gente a viver e meninos fora da escola, como muitas das que passámos. Em São Tomé, pelo que percebemos, a escola primária é de manhã ou de tarde, por isso há sempre meninos a brincar a toda a hora. Os meninos do norte não estão tão habituados a turistas e ainda não têm o ritual de pedir doces quando passamos. Aqui já vieram ter connosco com o cântico costumeiro: doce, doce. Não tinhamos doce mas tinhamos uma caixa de lápis de cor que causou as delicias de 12 meninos, especialmente do que “pegou o violeta“.

Fomos ver um secador de cacau, de estufa e de forno, e o cheiro era maravilhoso.

06Roça Agostinho Neto
Roça Agostinho Neto
07Roça Agostinho Neto
Ainda a Roça Agostinho Neto
08Roça Agostinho Neto
Os meninos a pedir doces.
09Roça Agostinho Neto
Peguei o violeta!
10Secador cacau
Cacau a secar na estufa
11Secador Cacau
Cacau a secar com calor por baixo.

Era tempo de recolher à cidade de São Tomé. Depois de tantos dias protegidos no Mucumbli a cidade parecia-nos um pouco caótica. Ficámos na Sweet Guest House e fomos logo recebidos num maravilhoso terraço onde corria uma brisa. Seria aí que faríamos as refeições nos próximos dias, e onde passaríamos belos momentos de conversa com os outros hóspedes. O Domingos só nos deixou depois de ter a certeza que estávamos no sítio certo e com as malas seguras, e no dia seguinte teríamos novo passeio.

Fomos recebidos pela Jandira que nos fez uma introdução à geografia da cidade e nos ofereceu um precioso mapa que nos guiou nos dias seguintes. Mesmo com instruções precisas de como chegar ao supermercado ainda conseguimos andar meio perdidos nas ruas de São Tomé. Mas a cidade tem uma luz e uma côr muito próprias e aproveitámos por dar uma voltinha a pé.

De volta à Guest House foi banhinho e jantar no terraço. Jantar às 7h da noite (ou um bocadinho antes) estava a tornar-se rotina. Nessa noite conhecemos o nosso colega japonês e alemão e estivémos em amena cavaqueira. Depois caminha cedo que no dia seguinte haveria novo passeio e nova descoberta!

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