Dia 5 – Uma praia cheia de sorrisos

Acordar no Mucumbli é uma experiência única. Por volta das 5h30 da manhã começa a ouvir-se um ruído como se estivessemos mesmo à beira duma estrada, mas na realidade são apenas os primeiros pescadores que estão a partir para o mar nos seus barcos a motor (ou os últimos a regressar duma noite de pesca de peixe voador). Juntamos a isto a fauna de pássaros e temos uma sinfonia ininterrupta até finalmente nos levantarmos da cama. Muitas manhãs levantei-me mais cedo e fui para o terraço absorver o “fresco” matinal, os sons, os cheiros e apreciar o facto de que finalmente estava em África e no país com que sonhava desde miúda.

Canoas
As canoas a regressar a Neves ao inicio da manhã

Nessa manhã e contrariamente ao que tinha acontecido até aí, a praia não era só nossa. Éramos 7 pessoas no total. Nós, um casal russo, um casal francês e a Ana que tinha vindo ter connosco depois de treinar os burrinhos no passeio. Casa cheia. Como havia gente no areal pudemos fazer snorkelling à vontade sem receio que o nosso amigo patudo do costume nos viesse tentar roubar a mochila. Foi o melhor dia para ver o fundo do mar, até teve direito a moreias. Só saímos de dentro de água por receio de torrar demasiado as costas. E na realidade minutos depois eu acabei por voltar.

E vejo chegar ao longe um grupo de cerca de 20 meninos com a farda da escola a encaminharem-se para a praia. As nossas amigas do dia anterior tinham trazido os colegas para ver as pessoas estranhas que estavam na praia, e melhor, tinham o bónus de ser mais. Como os outros casais não falavam português cedo se desinteressaram deles e ficaram só a fazer-nos companhia.

Primeira tarefa foi apedrejar as árvores. O caroço (carrrrrroço em sotaque local) é um fruto que se come a parte de fora, parte-se o dito cujo caroço e tem uma semente semelhante a uma amêndoa por dentro que também é comestível. Os nossos amigos tinham pontaria e fizeram cair imensos maduros, e quando isso falhou toca a descalçar e a subir às árvores.

A tatuagem da Ana revelou-se entretém para uns largos minutos, eram uns pássaros a levantar vôo e deixou-os fascinados. Tal como as nossas (possíveis) relações familiares. Três pessoas juntas na praia têm obviamente de ter uma relação familiar qualquer para além da simples amizade e a primeira conclusão é que a Ana era nossa filha. O meu desagrado foi bastante vocal, mas caramba, apesar de ser tecnicamente possível eu ser mãe duma mulher de 24 anos, não quer dizer que essa ideia me seja simpática. “Estão a chamar-me velha?”

Depois de muita conversa e brincadeira, os meninos vão todos para a água atirar pedrinhas.  Há muitos anos que eu não brincava assim na água, e resolvi juntar-me a eles com a Ana. O Peixinho Vermelho já tinha tido a sua quota parte de raios solares do dia e ficou à sombra a fazer companhia a um menino caladinho que não se juntava às brincadeiras. Mas foi um desastre total. Por mais que o Rai, o meu novo amigo, me desse as melhores pedrinhas da praia, elas simplesmente se afundavam com um ploc, enquanto ao meu lado a franzina Suzete mandava lindos voos de 5 saltos com as suas pedritas. “Mais força senhora” diziam-me eles a rir. Isso, façam pouco da velhinha, que nem tem força nos braços.

A brincadeira terminou com um merecido banho de mar e muitos risos à mistura. “Vem ao banho connosco, senhora?” As meninas sempre que podiam agarravam-me os cabelos para sentir a textura, tão diferente dos delas. Foi uma risota pegada, e sem dúvida o melhor banho que tomei em São Tomé.

Perto da uma a brincadeira acabou com a urgência de quem terá mães em casa à espera para o almoço e largaram todos a correr em direcção a Neves. Nós voltámos para cima de coração cheio e sorrisos na cara. Não há fotos porque há momentos que são só para viver.

O resto do dia passou-se a desfrutar da vista, do terraço e do calor. Jantar espetada de peixe, acompanhada de banana pão frita. Tudo delicioso como sempre. Mais um dia estava para vir.

Mucumbli 2
A eterna vista do terraço.
Papaia
As papaias que crescem por todo o lado.
Mucumbli
É sim senhora!
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